O relatório final da Comissão Especial de Inquérito (CEI) que apura possíveis irregularidades na construção de casas de fibrocimento no conjunto Ilda Mandarino (zona norte) foi entregue ontem aos vereadores, durante sessão na Câmara. A comissão, formada por cinco vereadores, sugere ao plenário que remeta o assunto ao Ministério Público, para que apure um possível caso de falsidade documental, surgida durante as investigações.
A comissão começou seus trabalhos no dia 24 de março, após denúncias de irregularidades na construção das casas, que é um projeto-piloto da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina com a construtora Grande Piso, de Guarapuava.
Durante as investigações, apareceu a denúncia de que seria falso um documento que contém as assinaturas do proprietário da empresa, Roberto Sass, e do então presidente da Cohab, José Caetano Perri. O documento diz que a Cohab não teria custo na construção das casas, mas Roberto Sass chegou a negar esta informação, dizendo que a sua assinatura no documento era falsa.
Para esclarecer a situação, a CEI chamou o empresário para depor duas vezes, mas ele não compareceu. Na primeira vez, no dia 19 de junho, ele enviou atestado de saúde alegando que estava doente. Na segunda vez, no dia 26 de junho, Roberto Sass estava em Brasília. Ele seria questionado também sobre de quem partiu a iniciativa do projeto e qual era o seu objetivo.
A comissão decidiu encerrar os trabalhos, mesmo sem ter conseguido falar com Roberto Sass. ‘‘A CEI não tem poder para obrigar o empresário a comparecer’’, alega o relator da comissão, Antenor Ribeiro (PPB). Ele afirma que esta questão de falsidade deveria ser investigada pelo Ministério Público ou até mesmo pela Cohab, que poderia propor uma ação na Justiça.
Ainda de acordo com o vereador, a CEI isentou de responsabilidade o ex-presidente da Cohab. José Caetano Perri pediu demissão do cargo assim que surgiram as denúncias de irregularidades. Agora, o relatório será votado em plenário na próxima quinta-feira, durante sessão da Câmara.
Ontem, durante a sessão foi aprovado em terceira e última votação projeto de lei criando a Vila Tecnológica da Cohab. De autoria de Antenor Ribeiro, a vila tem o objetivo justamente de evitar problemas como os verificados na construção das casas de fibrocimento. Pelo projeto, seria criada uma vila destinada às edificações experimentais de unidades habitacionais populares com a adoção de novas tecnologias.
O vereador confirma que propôs este projeto após o surgimento das denúncias de irregularidades na Cohab. Além disso, ele observa que estão sempre surgindo novas tecnologias no setor da construção e é importante testá-las.
Segundo o projeto, as experiências seriam feitas por no mínimo um ano, levando-se em consideração o material empregado, a estrutura do imóvel e a técnica de construção. Estas experiências poderão ser feitas pela Cohab ou por empresas construtoras credenciadas.
Depois de comprovadas a condição de habitabilidade e a redução de custo destas edificações, as construções poderão ser habitadas em caráter definitivo. O projeto recebeu parecer favorável do Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul). A matéria será enviada ao prefeito Antonio Belinati para ser sancionada ou vetada.

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