Construção de estrada pode atrasar porto
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quinta-feira, 11 de dezembro de 2008
Rosiane Correia de Freitas <br>Equipe da Folha 
Pontal do Paraná - A construção de uma ligação entre a PR-412 e o local de implantação do Terminal de Contêineres em Pontal do Paraná (TCPP) foi o ponto central da discussão da audiência pública realizada pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e Recursos Naturais Renováveis (Ibama), na noite da última terça-feira, no balneário Praia de Leste, no Litoral. A reunião, que atraiu cerca de 400 pessoas no ginásio de eventos da Associação Banestado, é parte do processo de licenciamento ambiental do projeto de construção do porto na cidade.
''É nosso entendimento que qualquer projeto de porto nessa região está ligado à implantação de um novo acesso para que essa atividade não inviabilize a vida da comunidade'', avaliou o superintendente do Ibama, José Álvaro Carneiro, que presidiu a audiência. O projeto da empresa JCR Administrações e Participações prevê a instalação do TCPP numa região conhecida como Ponta do Poço, cujo acesso passa pela BR-277 e pela PR-412 -que tem pista simples e já enfrenta engarrafamentos nos períodos de alta temporada.
Durante a audiência, o presidente da JCR, João Carlos Ribeiro, manifestou a intenção de construir o acesso. A expectativa entre os presentes na audiência foi de que o Ibama decida entender que o licenciamento do projeto deverá ser concomitante ao da estrada, o que pode atrasar os planos do empreendedor de começar a construir o porto no segundo semestre de 2009.
O empreendedor, no entanto, saiu da audiência confiante. ''Espero que eles decidam nos conceder a licença prévia'', adiantou. A partir do fim da análise do Ibama, Ribeiro espera começar as obras em oito ou nove meses. ''Vamos começar pequeno, com a construção de dois berços, e ampliar gradativamente'', disse. O investimento previsto pela JCR é de US$ 550 milhões.
Para a procuradora do Estado e representante do Conselho do Litoral, Ana Claudia Graf, a preocupação é que a implantação do porto traga outras obras que terão impactos ambientais concorrentes. ''Estamos preocupados com o licenciamento integrado de todas as obras'', declarou. Para o promotor público Robertson Fonseca de Azevedo, o porto não pode ser analisado isoladamente. ''É preciso analisar que outras obras o funcionamento desse projeto irá provocar na região e que impacto elas terão'', disse.
Azevedo também acredita que a avaliação dos impactos ambientais foi subestimada no Relatório de Impacto Ambiental (Rima). ''A avaliação de impacto tem que considerar toda a área que pode ser atingida num suposto acidente'', declarou. Segundo o promotor, o Rima não contempla eventuais impactos na Ilha do Mel. ''Os profissionais que trabalharam na avaliação do projeto são os melhores do mercado e não encontraram qualquer indício de que o porto possa a vir ter influência na ilha'', rebateu Ribeiro.
A jornalista viajou à convite da empresa JCR Administrações e Participações.


