Londrina tem uma Penitenciária Estadual (PEL) com capacidade para 360 presos, mas que já abriga 363. Uma Prisão Provisória (PP), com 144 vagas, que está sendo ocupada como cadeia e que vai receber 180 detentos. Quatro distritos policiais com carceragens oferecem 104 vagas mas abrigam 233 presos. E uma Cadeia Pública em construção.
Para o juiz corregedor da Comarca e da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, mesmo depois da conclusão da Cadeia e do pleno funcionamento da Prisão Provisória, a cidade vai apresentar déficit para atender às necessidades. Os números atuais apontam para excesso de presos em todas as acomodações prisionais. A Penitenciária já apresenta excesso de três detentos. A Prisão Provisória, se usada com o fim para o qual foi construída, apresentaria 39 vagas a menos do que a necessidade do dia. E ainda restariam nos distritos policiais 33 presos.
Arquivo FolhaLimiteA Penitenciária Estadual de Londrina tem capacidade para abrigar 360 detentos‘‘A superpopulação carcerária se mantém permanente. Não adianta construir mais prisões, pois o desemprego e os terríveis indicadores sócio-econômicos do País provocam aumento da criminalidade’’, analisa o juiz. Valle recomenda, como única solução, altos investimentos na educação e política de crescimento econômico. ‘‘Sem educação e pleno emprego não há solução para o problema da segurança pública. É utopia.’
Para o juiz corregedor de Londrina nem mesmo a aplicação de penas alternativas, como prestação de serviços à comunidade, resolveria o problema da superpopulação carcerária. ‘‘Não temos estrutura sequer para fiscalizar o cumprimento das penas alternativas’’, revela Roberto do Valle. Ele destaca que a situação poderia ser pior se o índice de reincidência criminal do Brasil, se comparado com outros países, e de Londrina, com outras regiões, fosse maior.
Para dar um exemplo o juiz compara: o índice de reincidência no Brasil é de 40% contra 60% no Japão. Em Londrina, ainda segundo Valle, a reincidência é de aproximadamente 10%. ‘‘É verdade que o número de reincidentes de Londrina considera inclusive os que são transferidos da Penitenciária Estadual para a Colônia Penal Agrícola, por exemplo, quando o detento é beneficiado com a mudança do regime fechado para o semi-aberto.’
Já para o presidente do Conselho Comunitário de Segurança, Jorge Coimbra, se o governo do Estado cumprir as promessas nos próximos 12 meses, Londrina estará equipada com as condições mínimas de segurança. Os projetos do Estado são a Cadeia Pública e o Complexo Policial, que vai abrigar a sede administrativa da 10ª Subdivisão Policial, o Instituto Médico Legal (IML) e o Instituto de Criminalística. Além de equipar e treinar o pessoal da Prisão Provisória. ‘‘Com essa estrutura concluída, Londrina terá como desafio subir de classe. Hoje, sequer temos classe’’, diz Coimbra.

mockup