A Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU) de Londrina apresenta hoje à Comissão de Meio Ambiente da Câmara Municipal o estudo prévio e de impacto ambiental das três áreas analisadas para receber o novo aterro sanitário do município, orçado em cerca de R$ 5 milhões. Um dos terrenos estudados está na Colônia Coroados, na PR-445 (16 km ao sul do centro). Os produtores rurais querem discutir à exaustão a possível instalação do aterro no bairro pois alegam que o terreno não é o mais adequado para a obra.
Ontem, no último dia para apresentação de emendas à lei, o vereador Maurício Barros (PT) teve que se apressar para incluir a obra na previsão orçamentária de 2004. Até ontem, a construção do aterro não constava na Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) e, portanto, não está incluída no Orçamento de 2004. Caso o prazo fosse perdido, seria preciso aprovar uma lei específica para desapropriar a área escolhida para instalação do aterro no próximo ano. Barros é presidente da comissão de Meio Ambiente.
Falando em nome de 116 proprietários, o presidente da Associação de Produtores da Colônia Colorado, João José da Silva, 42, espera que o ''Executivo ouça todas as colocações da comunidade''. Ele apontou que a área de 25 alqueires fica a 1,5 quilômetro acima do ponto no Córrego dos Apertados, onde é captada a água usada pela população de Londrina e isso representa riscos. Silva revelou ainda que a área está a menos de oito quilômetros de aglomerações urbanas.
Outro ponto é que os pequenos produtores do local dependem apenas daquelas terras. Roberto Shengi Yamada disse que o vale tem produção importante de leite, peixe e hortifrutigranjeiros. ''O maior produtor de leite B da região vai ficar a menos de 500 metros do aterro.'' Seu amigo agrônomo e também produtor, Anício Brianez, destacou que, por enquanto, os donos de terra não foram ouvidos e nem convidados a participar do processo de definição da área do novo aterro. ''Não é que não queremos simplesmente'', resumiu o diretor do Sindicato Rural de Londrina, Vilson Mouro.
O presidente da CMTU, Wilson Sella, argumentou que ainda não há uma área definida e que as três estudadas poderão receber o aterro, pois foram enquadradas em todos os requisitos exigidos na resolução do Conselho Nacional de Meio Ambiente (Conama). Sella também não vê obstáculos para iniciar a obra em 2004. Ele destacou que antes de definir como e de onde sairão os recursos é preciso saber como a obra será tocada. Ele também garantiu estar sensível a todas as preocupações das comunidades das três áreas estudadas.
Sella declarou também que considera a reunião de hoje na Câmara mais importante do que a própria audiência pública exigida para conclusão do Estudo de Impacto Ambiental e Relatório de Impacto ao Meio Ambiente (EIA/Rima). ''O encontro servirá para orientar a audiência'', disse. Hoje, deverão ser apresentados os estudos prévios e de impacto das três áreas avaliadas pela CMTU. A reunião acontece às 9 horas, na Câmara Municipal.

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