Todos os dias a rotina é sempre a mesma. Antes de pensar em dormir, o presidente do Grupo Dignidade, Tony Reis, fecha as venezianas e depois a grossa cortina. Ao invés de fugir da luz, como a maioria das pessoas, foge do barulho intenso da Rua Cruz Machado, no coração de Curitiba. ‘‘Ou você se adapta, ou você se muda’’, diz ele.‘‘É a Lei de Darwin’’.
O prédio onde mora, divide a rua com mais cinco casas noturnas, cinco bares e dois restaurantes, além de um karaokê e toda uma área de prostituição. ‘‘Ou seja, das oito da noite às seis da manhã, aqui é um inferninho’’, completa ele.
‘‘Antes só tínhamos uma janela comum, sem veneziana e com uma cortina mais fina. Mas do jeito que está agora, quase nem ouvimos mais o barulho. Só quando tem tiro. Mas aí qualquer um escuta’’. Segundo ele, a convivência com os vizinhos é bem pacífica, a rua é que é o problema. Um problema que ele já conhecia muito bem antes de se mudar para o prédio. ‘‘Moro aqui há pelo menos sete anos. Acho que colocar uma boate numa zona residencial é realmente complicado, mas não é o meu caso. Eu moro numa rua comercial, no centro da cidade e tenho que me acostumar com isso’’.
Mesmo assim, a hipótese de mudança não está descartada de seus planos. Tony garante que ainda vai morar num sítio. ‘‘Isso deve acontecer daqui há uns quinze anos. Se fosse agora acho que sentiria falta do barulho da cidade’’, confessa ele.
A prova de som - Duas ou mais chapas de vidro, espaçadas por câmaras de gás ou vácuo e hermeticamente fechadas. Mais conhecido como vidro laminado, o controlglass sempre foi utilizado com sucesso em aeroportos, grandes fábricas e centros urbanos movimentados. Mas agora começa a invadir também as janelas de casas e apartamentos de ‘‘simples mortais’’.
Diante do barulho cada vez maior das grandes cidades brasileiras, muita gente procura por recursos melhores do que venezianas e cortinas grossas. E uma das melhores opções é mesmo a da janela anti-ruído.
Prova disso é o volume de vendas atingido por algumas vidraçarias de Curitiba, especializadas em laminados. Na NHB Indústria de Vidros, a demanda, segundo o engenheiro Ubiratan Corrêa chegou a se equiparar a da construção civil. ‘‘As grandes construtoras só estão usando vidros laminados em seus prédios novos’’. O preço, com relação ao vidro comum chega a ter um acréscimo de até 60%, mas o isolamento acústico é garantido em até 10 vezes mais.

mockup