Edson MazzettoOperários trabalham em obra de construção de prédioO Comitê Permanente Regional (CPR) instituído em 1995 no Paraná para desenvolver o programa de redução de acidentes no trabalho realizou no final de semana, em Cascavel, sua primeira reunião no interior do Estado. O comitê é composto por representantes dos trabalhadores, de empresas da construção civil e por técnicos do Ministério do Trabalho.
Segundo o presidente do Sinduscon/Oeste, engenheiro Ricardo Prestes Mion, de Cascavel, o CPR quer mudar o conceito segundo o qual ‘‘as empresas provocam o acidente, os sindicatos de trabalhadores apenas vigiam e o Ministério do Trabalho multa’’.
A última estatística disponível mostra o registro de 20 acidentes fatais para cada grupo de cem mil trabalhadores, o que coloca o Paraná em sexto lugar entre os Estados com maior número de acidentes. A estatística é de 1995 e a falta de números mais atualizados é também uma das preocupações do setor.
Uma das ações previstas pelo Comitê é levantar informações sobre os acidentes, para subsidiar a elaboração de programas de prevenção. ‘‘Praticamente não há estatística no setor’’, afirma Leopoldo Fiewski, secretário-executivo do Sinduscon/Oeste, reafirmando que o único levantamento disponível é de 95, quando ocorreram no Estado 106 acidentes em cada grupo de cem mil trabalhadores da construção, o que coloca o setor atrás apenas da indústria extrativa em número de acidentes (135 por mil).
No País, no mesmo ano, em todos os setores da economia os acidentes com mortes foram 3.381 e destes, 437 na construção (44 para cada grupo de cem mil). Foi o quarto maior índice entre os acidentes fatais no trabalho. O primeiro é o da indústria extrativa (madeireiras e outras), com 57 casos para cada grupo de cem mil operários. Fiewski informa que, além de atualizar e aprofundar estatísticas, o CPR já decidiu deflagrar uma campanha educativa nos próprios canteiros-de-obra.
Os operários serão orientados para prevenção a acidentes, através de palestras e demonstrações práticas. Paralelamente, será produzido um boletim com detalhamento da legislação, para distribuição às empresas e sindicatos. O CPR também debate a adaptação (permitida) da Norma às condições regionais, caso por exemplo dos uniformes que as empresas devem fornecer aos operários. ‘‘Um macacão pesado não é adequado, por exemplo, para quem trabalha no litoral; fica melhor uma bermuda, como usam os policiais militares’’, completa Fiewski.

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