O setor da construção civil liderou o ranking de mortes e acidentes de trabalho no Paraná no ano passado. Balanço obtido pela Folha na Federação dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção Civil e do Mobiliário no Estado mostra que 19 (32,38%) das 59 mortes registradas em 97 aconteceram em obras. O setor ficou em primeiro lugar também na contagem geral dos acidentes. Dos 13.940 casos notificados, 1.599 (11,5%) tinham vínculo direto com a construção civil.
Segundo o levantamento, Curitiba é a cidade que reuniu o maior número de mortes por acidente de trabalho no ano que passou: 36. A capital paranaense concentra ainda mais da metade da incidência dos acidentes em todo o Estado. Foram causados 8.135 acidentes em todos os setores, o equivalente a um índice de 58,3%. ‘‘Mais de 90% dos acidentes na construção civil poderiam ser evitados com medidas preventivas’’, diz o diretor da Federação dos Trabalhadores, Denílson da Costa. Para o dirigente sindical, os empresários deveriam realizar um ‘‘gerenciamento de risco’’ nos locais de trabalho.
O engenheiro de segurança do Sindicato das Indústrias da Construção Civil do Paraná (Sinduscon), Bruno Bilbao Adad, contesta os dados que colocam o setor como o campeão de acidentes. ‘‘Se comparar com o número de acidentes e de trabalhadores, proporcionalmente, estaria em terceiro lugar’’, estima. O engenheiro credita o primeiro lugar da lista à indústria de transformação. Adad afirmou que o Sinduscon investiu cerca de R$ 1 milhão em projetos de conscientização de uso dos equipamentos de segurança e patrocina campanhas para que o assunto seja introduzido no currículo escolar.
Mas o secretário de imprensa do Sindicato dos Trabalhadores na Indústria da Construção Civil de Curitiba, Domingos Oliveira David, responsabiliza o setor patronal pelos acidentes e não concorda que os operários se recusem a usar os equipamentos individuais de segurança, como botas, luvas, capacetes e cintos. ‘‘Não é verdade que o peão não prefere usar. Ele é subordinado a uma chefia e a partir do momento que existe a autorização, ele usa’’, opina. David diz que os empresários ‘‘se omitem em educar o trabalhador’’.
O engenheiro de segurança Bruno Bilbao Adad rebate e acusa os trabalhadores de não usarem os equipamentos individuais por desinformação e ‘‘falta de hábito’’. O engenheiro diz que o sindicato vem desenvolvendo há dois anos programas de segurança no trabalho que resultaram numa diminuição de 50% dos acidentes.No ranking de mortes em acidentes de trabalho, o triste índice de 32,38% foi registrado em obras civis
Albari RosaDescuidoNo alto de 17 andares, na beirada do prédio, operários trabalham sem qualquer equipamento de segurança, expostos ao mais óbvio perigoCuritiba concentra
mais da metade da
incidência de acidentes
em todo o Estado

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