Construção Civil ignora a liminar e finaliza eleições
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quinta-feira, 20 de fevereiro de 1997
Lucília Okamura 
Josoé de CarvalhoNa urnaEleição transcorreu normalmente durante o dia e a previsão era de que o quórum havia sido alcançadoMesmo impedida através de liminar da Justiça, a atual diretoria do Sindicato dos Trabalhadores da Construção Civil finalizou ontem as eleições da categoria. O pleito foi realizado durante três dias e a apuração deveria acontecer após o término da eleição, às 17 horas. No entanto, mais de uma hora depois, a diretoria ainda não havia definido o local para a contagem dos votos.
A eleição foi marcada por tumulto, brigas judiciais, acusações e falta de informações. Por não concordar com o pleito, o operário Márcio Costa (candidato da chapa 2, de oposição) ingressou na Justiça e, na segunda-feira passada, conseguiu, através de medida cautelar, liminar para suspender as eleições. A chapa do operário havia sido impugnada pela diretoria do sindicato e não apareceu nas cédulas de eleição.
O oficial de justiça ficou dois dias à procura do presidente do sindicato, Denilson Pestana (candidato da chapa 1), para entregar a citação da liminar. Mas, como não conseguiu encontrá-lo, o documento foi entregue, anteontem à tarde, a um funcionário do sindicato. O advogado do operário, Ricardo Ramalho, diz que o oficial de justiça marcou um horário e Denilson Pestana não compareceu. O oficial citou por hora certa, observa. Pestana tem cinco dias para apresentar sua defesa.
O assessor jurídico da chapa 1 (situação), Gérson da Silva, afirma que a atual diretoria não desobedeceu a uma ordem judicial ao dar continuidade à eleição, já que Denilson Pestana não foi intimado. O advogado negou que ele estivesse se escondendo para não receber a citação. Segundo ele, o presidente do sindicato estava viajando e só retornou a Londrina anteontem, no final da tarde.
Ao todo, são 1.923 associados aptos a votar. Apesar de não saber ao certo quantas pessoas participaram do pleito, o secretário geral do sindicato, José Aparecido Martins, afirma que há quórum (50% mais um) para eleger a chapa 1. Segundo ele, foram utilizadas 25 urnas itinerantes e três fixas.
José Martins relata que, para executar o processo eleitoral, a diretoria contou com o apoio de 41 sindicatos da categoria do Estado e da Federação dos Trabalhadores da Construção Civil.
No início da tarde, o secretário geral informou que ainda não havia sido definido o local da apuração. Talvez seja no Sindicato dos Bancários, afirmou. Às 17 horas, a Folha foi até a sede do sindicato da Construção Civil, na rua Sergipe (área central) e foi informada por um funcionário que os votos seriam contados na sede social da entidade, localizada na rua Guaracy, jardim Castelo (zona leste).
Às 18 horas, no entanto, a sede social continuava vazia. Segundo Denílson Pestana, a princípio, a apuração seria realizada na sede social, mas, com a chuva que caiu no final da tarde era preciso encontrar um local maior para abrigar todas as pessoas que trabalhariam na contagem de votos. Depois disso, a Folha não conseguiu mais falar com ninguém da atual diretoria. O celular de Denilson Pestana ficou desligado a tarde toda e no início da noite.


