Consórcio vai explorar lixo reciclável
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sexta-feira, 10 de novembro de 2000
Maurício Borges Enviado a Ivaiporã 
A partir de uma pesquisa do Instituto de Saneamento Ambiental (Isam), o Sebrae/PR e a Associação dos Municípios do Vale do Ivaí (Amuvi) pretendem viabilizar a criação de um consórcio intermunicipal para explorar os materiais recicláveis dos lixões urbanos da região.
O estudo de viabilidade está sendo desenvolvido há 20 dias, sob o comando do engenheiro civil e sanitarista Nicolau Obladen, responsável pela área de resíduos sólidos do Isam.
O consultor Marcos Batista, do escritório regional do Sebrae, em Ivaiporã (110 km ao sul de Apucarana), explica que o objetivo é conter o avanço dos lixões a céu aberto, que acabam se transformando nos principais focos de poluição das cidades. Ao mesmo tempo, o estudo irá medir a demanda de materiais recicláveis, visando definir a viabilidade de novos empreendimentos para explorar e transformar essa matéria-prima, anunciou.
O Isam já desenvolveu com êxito projetos similares em Cascavel, Toledo e Castro, e agora trabalha a primeira experiência envolvendo vários municípios num consórcio regional. Nicolau Obladen diz que o primeiro passo do processo é levantar o potencial de lixo produzido pelas cidades do Vale do Ivaí. Nossa meta é quantificar o volume de alumínio, plástico, vidro, ferro, papel e outros materiais lançados diariamente nos lixões para depois viabilizar a exploração comercial através de pequenas empresas, revelou o engenheiro. Ele reiterou que, ao mesmo tempo, o projeto irá envolver a população na coleta seletiva e reduzir a poluição nestes centros urbanos.
Especializado em lixo urbano, o engenheiro disse que o diagnóstico estará concluído na segunda quinzena de dezembro. A segunda etapa será a discussão do projeto no âmbito da Amuvi, a partir de 2001, quando iniciam-se as novas administrações, explicou Obladen.
Segundo ele, a discussão também irá envolver a saúde pública, Sanepar, Instituto Ambiental do Paraná (IAP), Ministério Público e a Superintendência de Recursos Hídricos e Saneamento Ambiental (Suderhsa), além das prefeituras.
É preciso agregar os resíduos sólidos, desde de que selecionados, para tirar a matéria-prima e gerar negócios e empregos, justificou Nicolau Obladen. Uma experiência similar e bem-sucedida é a do Consórcio Intermunicipal de Tratamento de Resíduos Sólidos Urbanos (Citresu), que envolve sete municípios da região norte do Rio Grande do Sul, sediado na cidade de Bom Progresso. O trabalho do Citresu foi observado recentemente por uma comitiva de autoridades do Vale do Ivaí, que ficou impressionada com os resultados.


