Consórcio vai dar fim a lixo tóxico
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quarta-feira, 25 de junho de 1997
Osmani Costa 
Londrina
Josoé de CarvalhoQue fazer com o veneno?Reunião realizada na Promotoria do Meio Ambiente: pré-acordo definiu criação de um consórcio, com participação dos fabricantesA promotora especial de Proteção e Defesa do Meio Ambiente de Londrina, Maria Lúcia Reichenbach, conseguiu elaborar, durante reunião ontem à tarde, um pré-acordo para levar à solução definitiva do problema criado por 1.300 toneladas de agrotóxicos estocados na Colônia Penal Agrícola de Tamarana (60 km ao sul de Londrina). A reunião aconteceu no Fórum de Londrina.
O pré-acordo definiu que será criado um consórcio - entre o Estado do Paraná, associações e sindicatos nacionais das indústrias fabricantes de agrotóxicos - para, dentro de 40 dias, apresentar um laudo técnico sobre a melhor destinação para o lixo tóxico e arcar com os custos desta operação.
Estudos anteriores demonstram que há três opções para o lixo: o governo do Paraná comprar um incinerador e efetuar o serviço; levar os produtos para serem incinerados em São Paulo ou Rio de Janeiro; ou encapsular o material em tonéis especiais de aço e mantê-los em Tamarana.
Os produtos estão armazenados no que seria a Colônia Penal - a 26 km da cidade de Tamarana - desde 1988, quando o Ministério da Agricultura proibiu a utilização dos agrotóxicos mais perigosos, entre os quais BHC, DDT e Aldrin. Desde então, houve várias tentativas de solução. A promotora Maria Lúcia considera, com base em laudos técnicos, que os produtos representam um grande risco para o meio ambiente e a população de todo o Paraná. Segundo ela, os agrotóxicos não podem continuar como e onde estão armazenados.
Participaram da reunião de ontem representantes do Estado - ligados às secretarias da Agricultura e da Saúde -, da prefeitura de Tamarana e das indústrias fabricantes de agrotóxicos. O pré-acordo estabelece que será criada uma comissão de técnicos - indicados pelas partes envolvidas -, que visitará Tamarana no dia 7 de julho para início dos estudos e levantamentos. Em 4 de agosto, esta comissão apresentará à Promotoria um relatório final sobre a melhor solução encontrada.
Estudo anterior, da Comissão Estadual do Meio Ambiente, calculou que os custos para incinerar os agrotóxicos seriam de aproximadamente R$ 4 milhões. Um novo problema surgiu, no entanto, nos últimos meses: os governos de São Paulo e Rio de Janeiro divulgaram que não aceitarão a entrada do lixo tóxico do Paraná naqueles estados, ainda que apenas para incineração. Foi então que surgiu a idéia de o governo do Paraná comprar um incinerador, até porque os produtos armazenados em Tamarana representam menos da metade de todo o lixo tóxico estocado de maneira precária em todo o Estado.
A comissão de técnicos levantará os custos, quais as condições e garantias para a colocação do agrotóxico em cápsulas de aço ultra-resistentes. Estamos satisfeitos, porque a reunião foi boa. Houve um grande avanço e parece que estamos perto de uma solução final e boa para todos os setores envolvidos, mas principalmente para o meio ambiente e nossa população de Tamarana, comenta a promotora Maria Lúcia Reichenbach.
O secretário-executivo do Sindicato Nacional das Indústrias de Defensivos Agrícolas, Mário Kashen, concorda que houve avanço, mas diz que terá que consultar os empresários sobre a proposta apresentada pela Promotoria, notadamente no tocante à formação do consórcio e cotização dos custos relativos à destinação do lixo tóxico.
As indústrias sempre demonstraram boa vontade, no sentido de recolher os produtos e dar uma destinação segura para eles, mas isso foi proibido pelo Governo do Paraná. Na época da apreensão dos produtos, os fabricantes foram multados e responderam a processo administrativo, comenta Kashen. O Governo se responsabilizou pela destinação dos produtos, mas não a fez de maneira correta. Mas tudo bem, estamos dispostos a dividir essa responsabilidade agora e encontrar juntos uma solução.


