Consórcio ilegal fazia agiotagem no Paraná
O Consórcio Nacional Santa Ignez, que tem sede em Brasília, atuava ilegalmente no Paraná e fazia empréstimos maquiados, com taxas de juros entre 40% e 60% ao mês, o que caracteriza crime de agiotagem. Ontem, a gerente do consórcio, Eunice Gonçalves Pereira, 33 anos, e uma funcionária, Ronilda Gonçalves Pereira, 31 anos, foram presas em flagrante, às 13h30, no escritório da empresa no Estado, na Rua Mariano Torres, centro de Curitiba. Ronilda, que trabalha há três dias para o consórcio, é irmã de Ronilda. As duas confirmaram que faziam os empréstimos, mas disseram que não sabiam que praticavam um crime.
Segundo o delegado da Delegacia do Consumidor, Adão Edson Rolim, o consórcio anunciava em jornais da capital empréstimos com valores entre R$ 3 mil e R$ 320 mil. Parte do dinheiro, porém, sequer saía da conta do consórcio, que não tem autorização do Banco Central para atuar no Estado nem para fazer empréstimos. Esta operação só é permitida para instituições financeiras, como bancos e financiadoras.
Como exemplo dos crimes, Rolim citou o caso de uma das três vítimas que ontem haviam procurado a delegacia para registrar queixa, depois das prisões. A vítima, conforme ele, emprestou R$ 25 mil, mas R$ 10 mil permaneceram no caixa do consórcio como pagamento de juros. Além disso, a pessoa que fez o empréstimo teve que alienar um imóvel como garantia. O pagamento do empréstimo era feito em parcelas de pequeno valor, por vários anos.
O delegado disse ter pedido informações ao Banco Central sobre as ações do consórcio e espera a vinda de um funcionário da instituição, que deve prestar esclarecimentos. Rolim não descartou a possibilidade de pedir a prisão preventiva dos proprietários do consórcio, embora ainda não saiba sequer seus nomes. Conforme o delegado, ele deve pedir, por precatória, os depoimentos dos responsáveis pela empresa.
Cassação - O delegado também deve pedir ao Banco Central a cassação da autorização de funcionamento do consórcio, que, acredita ele, deve atuar ilegamente em todo o País. No Paraná, conforme Rolim, a empresa praticava crimes há cerca de cinco anos.
A polícia descobriu o crime através de denúncias anônimas, confirmadas pelas investigações. Conforme o delegado, as irmãs foram enquadradas no artigo 4º da lei 1.521, por crime de agiotagem. Se forem condenadas, podem pegar de seis meses a dois anos de prisão. Segundo Rolim, as duas seriam tranferidas ainda ontem para o 9º Distrito Policial.
O advogado das acusadas, Gilberto Gaeski, pretendia pedir ontem à noite o relaxamento das prisões. Depois de afirmar que elas não dariam entrevistas, Gaeski argumentou que as acusadas também são vítimas, pois teriam sido enganadas pela empresa.





