Consórcio de drogas é investigado
Depois do assassinato em Marília (SP) do empresário Luis Augusto Spila e do engenheiro químico Murilo Benicasa, a polícia paulista está investigando sigilosamente o envolvimento de empresários daquele Estado com o narcotráfico internacional.
Os empresários entram no negócio do tráfico em consórcios formados muitas vezes por mais de 40 pessoas. Após a venda do tóxico, o dinheiro do lucro é lavado e distribuído entre os consorciados. É um dos negócios mais rentosos do mundo e de relativa garantia para determinados tipos de empresários sem escrúpulo, afirmou o delegado regional de Marília, Moysés José Cocito. O delegado não quis comentar detalhes das investigações dos consórcios.
O investigador Augusto Verner Simão, do Departamento de Narcotráfico (Denac) de São Paulo, informou à Folha que os trabalhos investigativos foram acelerados após a prisão, em Manaus (AM), do comerciante Jalon Ivo de Barros Júnior. Ele havia fugido da cadeia de Campinas (SP) após ser preso com 35 quilos de cocaína que seriam enviados para a Alemanha.
Jalon Ivo Barros Júnior é acusado de ser o mandante da morte de Luis Spilla e Murilo Benicasa. Eles foram assassinados a tiros em 21 de setembro de 96 por Antônio Miguel Ferreira, o Ferreirinha, quando praticavam cooper na Avenida das Esmeraldas, em Marília.
O empresário Luis Spilla teria entrando no consórcio do tráfico por intermédio de Jalon. A cocaína comprada pelo consórcio teria desaparecido do interior de um navio liberiano, quando era transportada para a Europa. Spilla estaria exigindo de Jalon a devolução do dinheiro que havia aplicado na transação.
Após a prisão de Ferreirinha, a polícia de Marília prendeu o piloto de avião, Edmundo Rocha dos Santos, que teria dado fuga ao acusado.
O investigador Augusto Verner Simão, de São Paulo, que tem bastante experiência no combate ao narcotráfico, comentou: As investigações estão revelando apenas uma ponta do iceberg, cuja profundidade ainda não é possível calcular.





