As discussões sobre as questões ambientais estão passando por uma mudança de abordagem: o discurso preservacionista está dando lugar ao discurso conservacionista. ''Considerar os recursos intocáveis é burrice. Conservar é saber utilizar (esses recursos)'', explicou ontem o diretor do Centro de Pesquisas Ecológicas da Amazônia (Cepeam) e professor do Departamento de Engenharia Florestal da Universidade Estadual do Centro-Oeste (Unicentro), Mario Takao Inoue, em entrevista durante a 1ª Reunião Intermunicipal Ambiental da Associação dos Municípios do Médio Paranapanema (Amepar) realizada em Londrina.
De acordo com Inoue, há projetos que indicam que a conservação das reservas florestais pode ser compatível com a exploração. O mesmo direcionamento pode ajudar no reflorestamento de áreas desmatadas.
Ele citou como exemplo o projeto agroflorestal desenvolvido pela Cepeam na região do Novo Aripuanã (200 km ao sul de Manaus) nas proximidades do Rio Madeira. Nessa área, os agricultores plantam suas culturas - arroz, sorgo, pupunha e, entre as ''ruas'', são plantadas mudas de espécies madeireiras da região. ''Com o que o agricultor obtém da colheita, ele cobre os custos com o reflorestamento e ainda consegue um lucro, posterior, com a madeira'', garantiu.
Inoue afirmou ainda que a questão ambiental não pode ser resolvida com a instituição de uma legislação nacional. Para ele, a questão exige uma abordagem fisionômica - levando em conta as características regionais de vegetação, do clima e do solo.
Além desse tema, a reunião abrangeu legislação ambiental, Agenda 21, destinação de embalagens de agrotóxicos, controle de aterros sanitários nas cidades e capacitação ambiental para professores.

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