Consertos no Calçadão devem demorar 60 dias
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segunda-feira, 09 de julho de 2007
Fernando Rocha Faro<br> Reportagem Local 
Em plena época de Festival de Música, concertos no Calçadão, na Área Central de Londrina, deveriam ser comuns. Mas quem mora, trabalha ou passa pelo local teve de conviver na manhã de ontem com outro tipo de ''sinfonia''. É que os funcionários da prefeitura iniciaram o conserto do piso de petit pavet e das grelhas de captação de água da chuva. O espaço é considerado um dos cartões postais da cidade.
A obra que, segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), deve demorar pelo menos 60 dias para ficar pronta, poderá amenizar o risco de acidentes e incidentes que ocorrem no Calçadão por causa das pedras soltas e dos inúmeros buracos.
O trecho entre as ruas Hugo Cabral e Pernambuco foi o primeiro a receber os reparos. O conserto, conforme explica o presidente da CMTU, Mauro Yamamoto, será feito em três etapas. A primeira é o reassentamento das pedras irregulares, depois vem a lavagem do piso e, por último, o rejuntamento com areia e cimento.
''Vamos usar uma massa mais forte para fazer com que as pedras fiquem mais firmes'', adiantou Yamamoto. Ele salientou que o que garante a durabilidade do piso é a base, que precisa ser bem sedimentada. ''O petit pavet não é o vilão, mas o que está abaixo dele'', acrescentou.
Por isso, o Instituto de Pesquisa e Planejamento Urbano de Londrina (Ippul) está preparando um projeto de revitalização total, que vai incluir a remoção completa e recolocação das pedras e reforço do pavimento da área. Enquanto esse plano não se concretiza, a expectativa da CMTU é que os consertos durem 1,5 ano.
Os operários também vão fazer a troca das grelhas, que em muitos trechos estão soltas e representam riscos para os pedestres. E foi justamente numa dessas grades que um aposentado tropeçou cerca de dez dias atrás, o que teria resultado num braço quebrado e atendimento do Siate.
A cena foi presenciada por Ademar Mazuchi, 60 anos, que trabalha na mesma loja no Calçadão há quase três décadas. ''Essas pedrinhas são bonitas, mas não funcionam. A prefeitura deveria arrumar um sistema melhor'', opinou. E os funcionários dos estabelecimento comercial onde ele atua decidiram não esperar mais. Por conta própria, eles consertaram o petit pavet da porta da loja.
Para o porteiro Carlos Coimbra, 56, a situação do piso nunca esteve tão precária. Ele conta que é comum ver pessoas torcendo o pé nos buracos e nas grelhas soltas. Principalmente idosos. ''Consertar essas pedrinhas não é a solução. O certo seria trocar tudo'', cobra.
E realmente são as pessoas mais velhas que mais sofrem com a precariedade. O excesso de buracos transformou o Calçadão num campo minado para quem já passou dos 60 anos. É o caso da doméstica aposentada Rosa Francioli, 78, que mora em Santa Cecília do Pavão (60 km ao sul de Cornélio Procópio), mas passa mais tempo com a filha em Londrina do que na própria casa. ''Nunca me machuquei aqui, mas a gente tem de andar com cuidado para não cair. Eu mesma ando mais devagar aqui porque está muito perigoso'', declarou.
Cuidado que vai fazer parte da rotina dos idosos por um bom tempo. Ou pelo menos até que a revitalização completa seja anunciada, o que soaria, aí sim, como música para os ouvidos dos londrinenses, e saia do papel.


