Guarapuava
Em reunião que acontece hoje na reserva indígena de Marrecas, em Turvo (38 km ao norte de Guarapuava), os Conselhos Indígenas de Guarapuava e Londrina e os caciques das 17 reservas do Estado vão elaborar documento final que solicitará aos governos federal e estadual a extinção da Funai, em Curitiba. Eles também vão reivindicar a recuperação das terras da reserva de Boa Vista, em Laranjeiras do Sul, que hoje estão em poder de fazendeiros.
O documento com o pedido de extinção da Funai será encaminhado à Procuradoria da República, presidência da Funai e ao governo do Estado. Também devem participar da reunião o assessor para assuntos indígenas do Paraná, Edívio Battistelli, o representante da Procuradoria da República, Mário Ghizzi, autoridades locais e políticos.
Segundo o índio caingangue e presidente do Conselho Indígena de Guarapuava, Pedro Cornélio Seg Seg, a extinção da Funai, em Curitiba, é uma reivindicação antiga das comunidades indígenas do Estado porque o órgão não estaria oferecendo assistência aos índios. ‘‘Ela não atende os índios em nada. É um absurdo que se pague um prédio de três andares, carros e cerca de 60 funcionários para que o órgão não faça nada pelos índios’’.
As reservas do nosso Estado tem carência de médicos, enfermeiros e técnicos agrícolas, que estão em Curitiba e nunca se sujeitaram a aparecer para atender os índios. Por isso tudo é que não vemos razão para que este órgão continue existindo em Curitiba’’.
A recuperação dos 11 mil hectares de terras da reserva de Boa Vista, em Laranjeiras do Sul, também será discutida no encontro. Na década de 60, a última família de índios caingangue que vivia na reserva teve que deixar o local depois que as terras foram vendidas pelo Estado. No final do ano passado, cerca de 40 cainguangue voltaram a viver na reserva e reivindicam as terras, que atualmente estão divididas em quatro fazendas, pequenas propriedades e um assentamento.

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