Conselhos
buscam melhorar
o atendimento
Célia Baroni
Londrina está se organizando para melhorar a qualidade de saúde nos bairros e região. Desde o ano passado, o Conselho Municipal de Saúde, com a assessoria do biomédico Maurício Barros, está coordenando a formação de conselhos locais. O município foi dividido em 52 microrregiões tendo como referência a área de abrangência dos postos de saúde.
‘‘O objetivo dos conselhos locais é fazer um levantamento da realidade de sua região, definir as prioridades e buscar soluções em conjunto com as unidades básicas de saúde’’, explica Barros. Até agora foram criados 30 conselhos locais. Segundo o coordenador, a maioria já atua nos bairros.
Barros explica que a organização por regiões vai permitir que a comunidade tenha uma visão mais ampla das questões de saúde e possa definir o perfil do atendimento de acordo com as suas necessidades. ‘‘A consequência direta é a valorização do posto de saúde’’, afirma.
O processo de formação dos conselhos é lento e, segundo Barros, só estará concluído no final do ano que vem. Ele explica que os conselheiros precisam passar por um curso de formação e capacitação composto de sete oficinas de duas horas. ‘‘Só fica no conselho quem realmente está disposto a trabalhar pela comunidade’’, diz. Os futuros conselheiros têm aulas sobre assistência médica, realidade dos serviços em Londrina, gestão da saúde, participação comunitária e controle social. Cada conselho local tem, em média, 15 membros.
‘‘Durante o curso, discutimos noções básicas que possibilitam ao conselheiro trabalhar como elo entre a sua comunidade e os serviços de saúde’’, afirma Barros. Ele esclarece que os conselheiros atuam também como multiplicadores de informações e aglutinadores da comunidade. Em um futuro próximo, ele acredita que os conselhos locais serão responsáveis diretos por um melhor aproveitamento dos serviços de saúde.
Barros analisa que uma comunidade bem informada busca o atendimento de uma forma mais organizada e objetiva, evitando o desperdício de tempo. ‘‘Mas tudo isso não vai adiantar se os serviços não estiverem abertos às adequações necessárias’’, diz.
Barros é contrário à escala de plantão de pronto-socorro entre os hospitais Santa Casa e Evangélico, de Londrina que se revezam no atendimento a pacientes do Sistema Único de Saúde (SUS). ‘‘Mesmo que fosse de forma gradativa, os hospitais deveriam passar a atender 24 horas por dia.’’
O biomédico diz acreditar que o serviço básico de saúde, realizado pelos postos, precisa ser repensado. O biomédico cita como exemplo a falta de programas fundamentais voltados para diabéticos, hipertensos, aleitamento materno e idosos. ‘‘São poucos os postos que contam com este tipo de programas.’’ O horário de funcionamento também é alvo de críticas. Barros argumenta que com a realidade do mercado de trabalho atual, os postos deveriam funcionar até mais tarde.
A falta de profissionais nos postos de saúde também tem sido criticada pelos usuários dos sistema. Barros explica que, além de garantir o cumprimento de jornada de trabalho dos profissionais que já atuam nos postos, a Secretaria Municipal de Saúde precisaria também oferecer orientação social nas unidades. ‘‘O usuário sai do posto com um pedido de remédio e, na maioria das vezes não sabe onde ou a quem recorrer.’’
O secretário de saúde de Londrina, Agajan Der Bedrossian, diz que a secretaria sabe desses problemas e ‘‘está empenhada em resolvê-los’’. Segundo Agajan, os programas citados por Barros já começaram a ser implantados nos postos. Cada unidade de saúde vai contar com uma enfermeira para coordenar os trabalhos. ‘‘Estes profissionais estavam em funções burocráticas e agora estão sendo devolvidos para os postos.’’
Agajan afirma ainda que a secretaria também está preocupada em garantir a máxima permanência dos profissionais nos postos de saúde e já implantou cartão-ponto para funcionários e médicos.

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