Lucilia Okamura
De Londrina
Celas superlotadas e presos vivendo em condições precárias. Esta situação, comum em todos os distritos policiais de Londrina, foi vista de perto por integrantes do Conselho Comunitário de Segurança, ontem de manhã. Eles visitaram os 3º e 4º distritos, acompanhados pelo delegado-chefe da 10ª Subdivisão Policial de Londrina, Wanderci Corral Fernandes, e pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle. Todos são unânimes em apontar a conclusão da Cadeia Pública como prioridade para o setor. Não é a primeira vez que o Conselho organiza uma comissão para visitar os distritos.
Quatro dos seis distritos e a Prisão Provisória abrigam detentos. Ao todo, são 285 vagas, que ontem eram ocupadas por aproximadamente 460 presos. A situação ontem, se comparada à mesma época do ano passado, quando não havia ainda a PPL, pode ser considerada mais amena. ‘‘Já chegamos a ter 15 presos em uma só cela’’, lembrou Roberto do Valle.
O delegado-chefe também considera a situação controlada. Ele lembrou que após as reformas realizadas em todos os distritos (em 97) serviu para melhorar a segurança no local. ‘‘As celas estão com presos além da capacidade, mas é porque a polícia vem trabalhando, prendendo’’, justificou.
A superlotação, porém, não deixa de preocupar as autoridades do setor. Na opinião do juiz da VEP, um dos fatores que mais preocupa é a falta de guarda externa, que há mais de dois anos não é feita pela Polícia Militar. ‘‘A lotação vem aumentando e hoje são somente os ferros (portas e cadeados) que seguram os presos’’, alertou. A PM está presente nos DPs nos dias de visita e nos dias em que os presos são levados para o pátio para tomar sol.
O comandante do 5º Batalhão da Polícia Militar (BPM), tenente-coronel Silvio José Mazalotti, lembrou ontem que que cabe à PM a guarda de presídios. ‘‘Cuidar de cadeia pública não é atribuição da PM’’, observou. Ele ressaltou que sempre que solicitado pela Polícia Civil, homens da PM entram em ação nos distritos.
A conclusão da Cadeia Pública, que está sendo erguida na zona sul de Londrina, é considerada fundamental para desafogar os distritos policiais. As obras tiveram início em agosto de 98 e a previsão inicial era que a Cadeia, com capacidade para 360 vagas, ficasse pronta neste mês. Por falta de repasse de recursos por parte do governo estadual, a Sial Construções, de Cascavel, demitiu a maioria dos funcionários e praticamente paralisou a obra.
Segundo informações da secretaria estadual de Obras, 16% da cadeia foi concluída. A assessoria de imprensa da secretaria informou ontem que a expectativa é que as obras sejam concluídas em junho ou julho do próximo ano. No final do mês, quando estará em Londrina, o secretário Augusto Canto Neto deve se reunir com membros do Conselho de Segurança. Ele pretende mostrar à entidade o que já foi feito por Londrina no setor (reforma dos distritos) e falar sobre a Cadeia Pública.
Tanto Roberto do Valle quanto o presidente do Conselho, Newton Moratto, pedem o apoio do prefeito Antonio Belinati (PFL) para agilizar a obra.
O presidente do Conselho, que também pretende fazer visitas nos outros dois DPs que abrigam presos (2º e 5º), disse que encaminhará ofícios às autoridades municipais e estaduais. ‘‘Se continuar essa insensibilidadade, podemos ir até Brasília para falar no Ministério da Justiça’’, afirmou. Ele pretende ainda levar fotos e depoimentos de alguns presos ao promotor de Defesa dos Direitos e Garantias Constitucionais, Paulo Tavares, que também está acompanhado o caso. O promotor disse que já enviou três ofícios ao governo do Estado cobrando e pedindo informações sobre a obra. Ele explicou que enviará um último ofício e caso não tenha uma resposta convincente, pretende entrar com uma ação civil pública contra o Estado.

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