Conselho visita DP e cobra segurança
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quinta-feira, 20 de maio de 1999
Silvana Leão 
Constatar, juntamente com o Ministério Público, os problemas existentes na área da segurança em Londrina e municiá-lo de subsídios para que abra inquérito apurando se o governo do Estado está cometendo algum crime público em relação à área no município. Estes foram os principais objetivos da visita promovida ontem de manhã pelo Conselho Comunitário de Segurança de Londrina ao 2º Distrito Policial, na Vila Santa Terezinha (zona leste).
Participaram da visita o juiz-corregedor de presídios na cidade, Roberto do Valle; o promotor de Direitos Constitucionais, Paulo Tavares; a promotora Solange Vicentim, da 5ª Vara Criminal; o presidente do Conselho de Segurança, Jorge Coimbra Neto e membros da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB/Londrina), entre outros. Coimbra ressaltou que é importante esta ação em conjunto, para que todos passem a falar a mesma linguagem junto à Secretaria de Segurança do Estado e para que chegue ao conhecimento da comunidade as graves carências existentes em Londrina.
Os distritos estão superlotados, as obras da Cadeia Pública estão praticamente paradas, não existe Defensoria Pública no municipio, o Pró-Egresso, que era um importante serviço prestado aos ex-detentos que estão se reintegrando à sociedade, deixou de funcionar por falta de verbas. Hoje as coisas só acontecem em Curitiba, desabafou o presidente do Conselho.
O promotor Paulo Tavares explicou que está trabalhando apenas em procedimento administrativo. Ele não descartou a possibilidade de entrar com ações civis públicas contra o Estado para agilizar o envio de verbas para a construção da Cadeia Pública e instalação da Defensoria Pública. Antes temos que esgotar todas as outras possibilidades.
Em um balanço sobre a situação vivida hoje em Londrina, Tavares lembrou que há 416 presos em quatro distritos policiais, quando a capacidade é de no máximo 280. A estrutura do Estado não está acompanhando o aumento de prisões e denúncias criminais, disse.
Valle está estudando propostas que seriam colocadas em prática com o término da construção da Cadeia Pública, como destinar o 2º Distrito somente para mulheres. Seria instalado ali um berçário e creche para os filhos das detentas, hoje só existente na Penitenciária Feminina em Curitiba.
Segundo o juiz, atualmente as obras da Cadeia Pública estão sendo tocadas por apenas seis funcionários. Ele foi informado de que, para o prédio ficar pronto até dezembro - quando vence o prazo dado pelo doador do terreno para término da obra -, seriam necessários pelo menos 100 homens trabalhando diariamente. Ontem à tarde, a Folha não conseguiu falar sobre o assunto com o Secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira.


