Além da morte da indiazinha Liliane Marcondes, de 11 meses, na segunda-feira, o Conselho Tutelar de Londrina vai investigar a situação de uma segunda indiazinha que corre risco de vida se voltar para a casa dos pais, na reserva localizada em São Jerônimo da Serra (78 km ao sul de Cornélio Procópio). A. P. F., de quatro anos, está internada no Centro de Apoio à Recuperação Infantil Dr. Hugo Dehé (Cari), há quase seis meses, para onde foi encaminhada pela Fundação Nacional de Saúde (Funasa), órgão responsável pela saúde dos índios. Os médicos do Centro, localizado em Londrina, estão com receio de liberar a menina porque ela pode morrer se não continuar com o tratamento e não tiver cuidados especiais.
A.P. chegou ao Cari pesando apenas oito quilos, com o corpo coberto de sarna e a cabeça cheia de piolhos e com sequelas de meningite. Sem poder se mexer por causa da paralisia cerebral, Ana Paula só se alimenta por uma sonda naso-gástrica e tem problemas respiratórios.
De acordo com o presidente do Cari, Antônio Galindo Moreno, hoje a menina está recuperada da desnutrição aguda, já tendo atingido a marca dos 15 quilos. ‘‘Infelizmente, essa menina nunca vai ser uma criança normal e precisa de cuidados constantes. Só o fato de se alimentar pelo nariz é uma situação que qualquer mãe teria dificuldades para lidar, imagine uma índia morando em uma reserva, sem recursos nenhum’’, explicou.
Além disso, segundo ele, a garota precisa também ser acompanhada por um fisioterapeuta para evitar atrofia total nos membros e não pode se mantida apenas deitada, para que não surja quadros de pneumonia. ‘‘A menina precisaria ir para um local apropriado, com recursos mínimos para o tratamento que necessita. Se não, é mandar para morrer’’, afirmou Galindo.
A conselheira tutelar Marilda Regina da Silva disse que vai entrar em contato com o Cari, Funai e Funasa para obter mais informações sobre o caso. Segundo ela, será preciso investigar em que condições os pais mantinham a menina antes do internamento e se poderão promover a continuidade do tratamento. ‘‘É preciso ver se a menina, ao voltar para casa, não vai correr riscos’’, afirmou.

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