Conselho vai investigar médica
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 11 de maio de 2001
Gilmar Agassi De Cascavel 
O Conselho Regional de Medicina de Cascavel (CRM) decidiu investigar as denúncias de negligência contra ginecologista e obstetra Sônia Amorim, mesmo sem a formalização de denúncias por parte das mães cujos filhos tiveram problemas durante o parto realizado pela médica. Todos os hospitais onde Sônia Amorim trabalha ou já prestou serviços, deverão repassar informações sobre possíveis queixas existentes contra ela.
O delegado regional do CRM, Keithe Fontes, explicou que apesar de não ser uma função do Conselho de Medicina investigar os profissionais sem uma denúncia formal, será aberta uma exceção devido ao grande número de mulheres que estão procurando o Ministério Público para fazer queixas contra Sônia Amorim. Mesmo sem haver uma queixa formal contra a médica, eu considero que há um clamor em torno do caso e merece uma investigação. Vamos instaurar uma sindicância, completa.
Keithe Fontes salienta que recebeu um ofício do Ministério Público solicitando informações se a médica já teria sido alvo de denúncias no passado e se pesa alguma punição sobre ela. Durante as investigações, ficou constatado que em 1994 uma família procurou o MP, em Curitiba, para fazer denúncias contra a médica, reclamando de seu procedimento em um parto realizado em 1992, em Cascavel. Ficou constatado que ela cometeu algumas irregularidades, por isso, recebeu uma pena administrativa do CRM, ressalta.
O promotor público Marcelo Belzer Correia afirmou que até o momento oito mulheres já fizeram denúncias. Para a próxima semana estão sendo esperados os depoimentos de mais três.
De acordo com o promotor, o MP solicitou à Associação dos Pais e Amigos dos Excepcionais (Apae) de Cascavel um balanço de crianças com problemas ocasionados por falta de oxigenação no cérebro no momento do parto, e que as mães tenham sido atendidas por Sônia Amorim. A escola para portadores de deficiência mental forneceu o número de atendidos, que passa de 80 casos.


