Curitiba - O Conselho Permanente de Direitos Humanos do Estado do Paraná (Coped) decidiu realizar uma audiência pública na próxima semana, em Paranaguá, no Litoral, para discutir as denúncias de tortura contra moradores de rua da cidade. A audiência servirá principalmente para esclarecer a comunidade de que a prática é um desrespeito aos direitos dessas pesoas e que não pode ser referendada pela população local. A audiência deve ocorrer na terça ou quarta-feira, provavelmente no Fórum de Paranaguá.
O Coped, que reúne representantes do governo e órgãos não governamentais, renuniu-se extraordinariamente, ontem de manhã, para discutir a situação em Paranaguá. Desde o início do mês, o secretário municipal de Segurança do município, Álvaro Domingues Neto, e quatro guardas municipais estão presos, acusados de tortura contra mendigos da cidade, com objetivo de retirá-los à força do município para abandoná-los em outras localidades. Outros quatro guardas municipais, também com prisão decretada, estão foragidos.
A necessidade de alertar a população sobre o desrespeito aos direitos dos mendigos foi diagnosticada em função de relato feito pelo padre Aderli Antonio de Carli, que trabalha diretamente com os mendigos da cidade e primeiro a denunciar os casos de violação atribuídos à prefeitura local. Segundo o pároco, está havendo uma inversão de valores entre a população. Muitos, ao invés de condenar a prática de retirada à força dos moradores de rua, estariam concordando com essa suposta ''limpeza'' da cidade.
Os casos de tortura de moradores de rua vieram à tona depois que o padre Aderli trouxe a público a denúncia de que, no dia 25 de março deste ano, oito moradores de rua foram pegos em Paranaguá, colocados em uma van e levados para Curitiba, onde foram deixados em ruas do bairro Pinheirinho. Após investigar a prática, o promotor de Justiça da 1 Vara Criminal de Paranaguá, José Luiz Loretto de Oliveira, apresentou denúncia apontando dez casos distintos de agressão e transporte forçado de mendigos para outros municípios.
Na reunião de ontem, Loretto relatou as medidas que serão tomadas em função da documentação apresentada pelo padre Aderli ao secretário de Segurança Pública do Paraná, Luiz Fernando Delazari, que levanta a hipótese de que o vice-prefeito teria conhecimento do ''transporte'' de mendigos para fora da cidade. Segundo Loretto, o Ministério Público está impedido de investigar o prefeito e seu vice, uma vez que ambos têm foro privilegiado, em função de seus cargos. Por isso, ele encaminhará relatório para a Procuradoria Geral da Justiça solicitando investigação.

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