Conselho Universitário adia vestibular de verão da UEL
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 14 de dezembro de 2001
Cristiane Oya<br>De Londrina 
O Conselho Universitário (CU) da Universidade Estadual de Londrina (UEL) decidiu ontem adiar a realização do vestibular de verão, inicialmente marcado para 6 a 10 de janeiro de 2002. Por 59 votos contra cinco, a data do vestibular de verão da UEL deverá ficar em aberto até o final da greve, que já dura 89 dias.
''Fizemos todos os esforços para que o movimento cessasse, mas diante da não parada da greve, fazer o vestibular é uma irresponsabilidade, porque colocaria em risco, fisicamente, não só os vestibulandos, como toda a comunidade'', justificou o reitor da UEL, Pedro Gordan.
No entanto, o presidente do Sindicato dos Professores de Londrina (Sindiprol), César Caggiano, disse que a manutenção da greve está ligada a negativa do governo em oferecer a reposição salarial, referente a seis anos sem reajuste. ''O governo está jogando pesado com relação as ações judiciais. Está jogando também no sentido de jogar a comunidade contra o movimento. Porque o culpado disso é claramente ele, que em hipótese alguma quis negociar reposição salarial com os servidores'', disse.
O coordenador do curso de Educação Artística e membro do CU, Kenedy Piau, disse que a votação não deixou dúvidas sobre a decisão do conselho. ''O que tem que ficar claro é que essa decisão não é fundamentada no movimento do greve, é baseada no entendimento de que estamos em uma condição atípica, que inviabilizaria a realização do vestibular no padrão de qualidade que reivindica'', disse.
Após a votação, o coordenador da Copese (órgão responsável pela realização do vestibular), Luis Carlos Bruschi, pediu demissão do cargo. Bruschi não quis dar declarações sobre a decisão, mas o reitor afirmou que a decisão não foi motivada pelo cancelamento do vestibular. O nome do novo coordenador da Copese ainda não foi definido.
Em resposta ao ofício encaminhado dia 11, pelo promotor Bruno Galati, Bruschi afirmou que caso o conselho deliberasse pela realização do vestibular até ontem, a Copese teria ''todas as condições técnicas para a sua realização''. O promotor disse que irá solicitar cópia da ata da reunião do CU, realizada ontem.
Galati também questionou a universidade sobre o não comparecimento de funcionários com cargos comissionados e funções gratificadas durante a greve. ''Quem está em greve são os servidores e professores. Quem quiser fazer greve tem que se despir da função de administrador'', afirmou o promotor.
Sobre as possíveis desistências e questionamentos judiciais contra a universidade, pelos 19.098 candidatos inscritos, Gordan disse que ''ainda não havia pensado no assunto''. Aos que persistirem, o reitor disse que eles terão que ''aguardar até que se defina a questão da greve''.


