Ibiporã O Conselho Tutelar de Ibiporã (14 km a leste de Londrina) recebeu nos últimos dois anos cerca de 600 denúncias de violência contra crianças e adolescentes do município. Em 80% delas, de acordo com órgão, os conselheiros encontraram marcas de agressão física ou psicológica e decidiram abrir um processo de investigação. Os dados fazem parte de um estudo divulgado ontem à tarde durante a realização do 1º Seminário Municipal de Combate à Violência contra a Criança e o Adolescente. O evento contou com a participação de autoridades policiais, municipais e representantes do Ministério Público, entre eles do promotor Murillo José Digiácomo, do Centro de Apoio Operacional das Promotorias da Criança e do Adolescente, e da promotora Maria Tereza Ville Gomes, da Vara da Infância e da Juventude de Curitiba.
A maioria dos casos registrados pelo conselho é de agressões psicológicas. Mais difícil de ser detectado, esse tipo de violência responde por 46% dos casos registrados pelo conselho. A seguir, com 29%, vem o abandono ou a negligência. Com 20% das ocorrências, aparece a violência física, seguida pela exploração infantil, com 4%, e do abuso sexual, com 3% das denúncias que chegam ao Conselho Tutelar. ''Em 20% dos casos que recebemos, durante esse período, não conseguimos identificar vestígios que comprovassem qualquer tipo de agressão, por isso não foi preciso abrir um processo para cuidar da criança supostamente agredida. Mesmo assim, continuamos a acompanhar esses casos de perto'', garantiu o professor Luciano Betiate, um dos cinco conselheiros do município.
O estudo revela ainda que em 27% dos casos, o ato de agredir ou intimidar a criança parte da própria mãe, seguido pelo pai, com 18%. Padrastos ou madrastas seriam responsáveis por outros 16%. ''Esse resultado é considerado natural porque os pais são as pessoas mais próximas dos filhos, acompanham diariamente o desenvolvimento deles e estão mais expostos a esse processo. No estudo, conseguimos verificar ainda que a maioria das mães agressoras é solteira'', afirmou o conselheiro.
Apesar disso, o professor afirma que a violência contra a criança e o adolescente não respeita níveis sociais. Quase metade dos casos, segundo ele, tem envolvimento de famílias em boa condição econômica. ''A única diferença é que a elite tende a camulflar o caso procurando resolver o problema internamente, sem expor a criança, e isso nem sempre dá resultado'', ponderou.
O promotor Murillo José Digiácomo tem a mesmo opinião. ''Acho que a violência não tem classe social, acontece em todo lugar. Mas quem possui uma condição melhor tem medo de se expor, principalmente em casos com suspeita de abuso sexual'', argumentou. Segundo ele, a desinformação geral da população sobre os direitos e deveres do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é um dos fatores responsáveis pelo aumento da violência infanto-juvenil.
''As pessoas que presenciam o fato tem medo de denunciar, e isso impede a ação das autoridades competentes, como a polícia e o conselho tutelar. Se existir a suspeita é preciso que as pessoas não fiquem quietas, porque as crianças não estarão em condições de dizer nada'', afirmou o promotor.

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