Conselho Tutelar questiona premiação dada pelo Unicef
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segunda-feira, 07 de agosto de 2000
Maranúbia Barbosa De Londrina Especial para a Folha 
O Conselho Tutelar de Londrina vai contestar o prêmio Município Amigo da Criança, oferecido à cidade pelo Fundo das Nações Unidas para o Desenvolvimento da Infância (Unicef).
O prêmio, concedido a cada quatro anos, vai ser entregue na quarta-feira, dia 9, em Brasília, na sede da Organização Panamericana de Saúde. Vão receber o prêmio o prefeito Jorge Scaff (PSB), o secretário municipal de Saúde Agajan Der Bedrossian e o secretário de Educação José Dorival Perez.
De acordo com Júlio Botelho, um dos integrantes do Conselho Tutelar, a concessão do prêmio à Londrina é precipitada, já que a comissão que avalia os requisitos exigidos pela Unicef não fez pessoalmente a inspeção aos municípios.
De acordo com Botelho, o Conselho Tutelar tomou conhecimento do prêmio pela imprensa e os conselheiros sequer foram consultados. O Unicef avalia a cobertura vacinal, programas de pré e pós-natal, desnutrição, mortalidades infantil e materna. À distância tais indicadores dão uma visão parcial, mas não reflete a realidade social da cidade, afirmou.
Segundo Botelho, existem cerca de 20 mil crianças de 0 a 6 anos, cujas famílias sobrevivem com até dois salários mínímos. Ele disse também que as crianças que necessitam de atendimento psicológico têm que esperar mais de seis meses. Faltam medicamentos controlados em postos da rede pública e uma casa abrigo de referêcia para crianças em situação de violência, assegurou o conselheiro.
Para Júlio Botelho, o prêmio é válido porque estimula mais iniciativas, mas é preciso verificar se realmente as crianças e os adolescentes estão sendo beneficiados.
O Conselho Tutelar considera o prêmio indigesto, principalmente para quem trabalha diariamente com crianças e sabe que a situação não é essa que nos apresentam, declarou.
O secretário de Saúde Agajan Der Bedrossian considera justo o prêmio da Unicef. Em quatro anos, de 96 até hoje, conseguimos zerar o índice de mortalidade materna. A vacina Sabin, contra poliomielite, chegou a mais de 100% em 99. Em 96 a mortalidade infantil era de 14,2% para cada mil crianças nascidas vivas e hoje temos uma porcentagem de 13,6%. Em todos os itens analisados pela comissão encabeçada pela Unicef conseguimos avanços, afirmou.
Bedrossian disse que também foram levados em conta a infra-estrutura, a diminuição de partos cirúrgicos, o combate à carência alimentar e o baixo índice de analfabetismo.
Segundo o secretário, entre mais de cinco mil municípios brasileiros, somente 58 receberão o prêmio. É um prazer receber o título, significa que estávamos no caminho certo. O secretário disse ainda que espera que Londrina receba novamente o prêmio daqui a quatro anos.
O Conselho Tutelar, por outro lado, anunciou que enviará um fax ao Unicef com as informações que, segundo os conselheiros, ficaram de fora dos requisitos pesquisados.


