O Conselho Tutelar de Londrina encaminhou, anteontem, denúncia à Promotoria da Infância e Juventude contra o Instituto Londrinense de Educação de Surdos (Iles) por ter recusado o ingresso do aluno A.L.D.P., de 9 anos, na instituição. Além de surdez, o menino possui transtorno comportamental. O conselheiro tutelar Idalto José de Almeida, responsável pela denúncia, disse que foram feitas várias reuniões para tentar convencer o Iles a receber o garoto. ''O Ministério Público vai garantir a inclusão dele'', afirmou.
Segundo a mãe do menino, a dona de casa M.L.D.P, ele ficou surdo após contrair uma meningite bacteriana aos sete meses de idade. Em 1996, ele começou a frequentar o Iles, onde ficou até 2001. O impasse começou nesse período. Segundo M.L, a criança não dormia e apresentava crises de convulsão. Foram feitos exames médicos e o menino foi diagnosticado como autista atípico. De acordo com ela, a partir disso, o Iles teria afirmado que não podia mais atender o menino e o encaminhou para a Associação de Proteção ao Autista (Apa), que não trabalha com surdos. ''Ele ficava isolado das crianças porque não tinha comunicação'', contou.
Novos exames médicos apontaram que, em vez de autismo, A. tem uma lesão cerebral que teria provocado o transtorno comportamental. ''Até então eu só tinha a avaliação do Iles, então procurei outras fontes para confrontar esses dados'', afirmou. A mãe procurou então o Conselho Tutelar, o Conselho Municipal dos Direitos da Pessoa Portadora de Deficiência (CMDPPD) e enviou um ofício à Ouvidoria da Secretaria Estadual de Educação, contando o caso. O órgão, por meio do Departamento de Educação Especial, emitiu em março deste ano, uma recomendação ao Núcleo Regional de Educação (NRE) de Londrina para que o menino voltasse a estudar no instituto. Mas, segundo a mãe, ''a diretora ameaçou deixar meu filho num canto isolado se ele voltasse para a escola''.
O Iles também teria recusado a matrícula porque não teria estrutura para o atendimento. Segundo a mãe, a direção do instituto disse que só a efetuaria se fosse enviada uma ordem ou determinação por parte do NRE, que a forneceu. Mas, de acordo com ela, o garoto só frequentou as aulas dois dias já que foi colocado em uma sala em que os alunos estavam em nível mais adiantado e não se adaptou.
A diretora do Iles, Marina de Fátima Benedito, se defende das acusações, afirmando que a escola não possui um atendimento adequado para o menino. ''O atendimento dele é na área médica. Ficamos cinco anos com ele, mas não tem jeito'', garantiu. De acordo com a diretora, o garoto é agressivo com todos à sua volta. ''Se não fizéssemos as coisas do jeito dele, começava a dar socos'', contou.
Marina negou que tenha ameaçado deixar o garoto isolado. ''Eu disse que se ele estivesse em uma sala de aula sem conseguir acompanhar os outros alunos é a mesma coisa que se estivesse isolado. Ela (a mãe) deve ter interpretado mal'', se defendeu.

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