Como os pais não aceitam internar Samuel, até hoje ninguém tentou encaminhar o garoto para hospitais psiquiátricos. A coordenadora do Conselho Tutelar de Umuarama, Cristina Galharim, diz que a situação é lamentável e difícil de resolver. ‘‘Os pais não maltratam, nem rejeitam o adolescente, muito pelo contrário’’, comentou.
A pedido do Conselho Tutelar, a Prefeitura ajudou a construir a casa onde a família vive há oito anos na favela do Jardim São Caetano. Antes, Samuel morava em outra favela da cidade, num barraco em condições ainda mais precárias.
O pai ganha a vida vendendo sorvetes ou trabalhando como bóia-fria. O garoto recebe uma pensão mensal da Previdência e a comunidade também ajuda com a doação de alimentos e remédios. Ele nunca frequentou escolas especiais, como as da Apae. ‘‘A gente só o levou depois de grande, mas disseram que agora não adianta mais. Ele não vai conseguir aprender nada, nem dá para ficar junto com os outros alunos’’, alega a mãe, Antônia.
Segundo o psiquiatra Sebastião Maurício Bianco, seria necessário que entidades assistenciais passassem a acompanhar a família de perto, oferecendo maior apoio financeiro e orientação para que o adolescente recebesse o tratamento adequado.
Sebastião Bianco reforça que Antônia também precisa passar por um tratamento psiquiátrico para mudar o comportamento em relação ao filho. ‘‘Na situação atual, fica difícil tentar ajudar, porque os pais detêm o pátrio poder e sem a autorização e colaboração deles, ninguém pode fazer nada’’, argumentou o médico. (V.M.)

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