Conselho tenta tirar menor da BR-376
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quarta-feira, 04 de março de 1998
Marcos Zanatta 
Marco NegriniConselho Tutelar diz que menores que vendem suco no trecho urbano da rodovia correm risco de acidentesO Conselho Tutelar de Sarandi (7 km de Maringá) vai acionar a Justiça para evitar que menores vendam suco no trecho urbano da BR-376, onde passam em média 60 mil veículos por dia. Nos dias de maior movimento, pelo menos 50 vendedores - inclusive alguns menores - ficam no cruzamento da rodovia com a avenida central da cidade. Eles aproveitam o tempo de sinal fechado para circular entre os veículos e oferecer suco e refrigerante.
Já tentamos de tudo para tirar as crianças do local, que é muito perigoso, mas não tem jeito, lamenta a presidente do Conselho Tutelar do município, Maria Aparecida Bedin. No início, quando poucos vendedores trabalhavam no local, o conselho recolhia os menores e orientava as famílias. A situação tornou-se mais grave, com vários menores, inclusive com menos de 14 anos, trabalhando no local. Se a gente chega com a Kombi do conselho é até perigoso porque eles saem correndo no meio dos carros, afirma Maria Aparecida.
Na opinião dela, a culpa pela situação é das empresas e dos próprios pais. As indústrias de suco sabem que não podem contratar menores de 14 anos, mas permitem que as crianças trabalhem com os pais, conta. Outro problema é que as famílias, quando alertadas pelo conselho, alegam que precisam da renda conseguida pelo trabalho dos menores para não passar fome. Vamos solicitar a Justiça que alerte as empresas sobre a irregularidade do trabalho de menores, ainda mais em um serviço de extremo risco para as crianças, afirma Maria Aparecida.
Os outros setores da prefeitura de Sarandi não fazem fiscalização em relação ao local de trabalho dos vendedores. Segundo Pedro Casagrande, dono de uma das empresas que atua na cidade, a exigência é estar em ordem com a Vigilância Sanitária. Nunca aconteceu acidente com o pessoal que vende na estrada, apesar do perigo existir no local, diz. Ele alega que os motoristas gostam de comprar suco sem descer do carro, apesar das vendas terem caído 70% nos últimos meses.
Os vendedores menores que trabalham no cruzamento de Sarandi garantem que nunca foram importunados pelo conselho ou por fiscais do município. A gente estuda e não tem outro emprego a não ser aqui. Mas não tem perigo porque a gente se cuida no meio dos carros, diz R.H.C., 16 anos, que vende suco na rodovia há seis meses. Ele critica as empresas, que reduziram a porcentagem de lucro de 30% para 25% e até 20%. A gente vende de 30 a 40 sucos por dia e no final ganha uma mixaria, afirma.
Em Maringá a prefeitura conseguiu tirar os vendedores de suco da avenida Colombo, trecho urbano da BR-376. O setor de fiscalização apertou o cerco apreendendo os carrinhos e multando as empresas em R$ 300,00 - o que acabou com os vendedores que atuavam na avenida.


