Arquivo FolhaJulio Botelho: ‘A decisão foi infeliz e trará graves consequências’A decisão de deixar 11 entidades sem o passe gratuito de transporte coletivo está preocupando o Conselho Tutelar de Londrina. O acordo sobre os passes foi feito anteontem, durante reunião entre Prefeitura e empresa a Transportes Coletivos Grande Londrina (TCGL). O presidente do Conselho Tutelar, Júlio Botelho, explica que essas entidades trabalham com menores carentes e teme que, sem o benefício do transporte gratuito, eles voltem para as ruas.
A Secretaria Municipal de Ação Social tem uma lista com 33 entidades assistenciais que recebem passe gratuito. Durante a reunião, decidiu-se que 11 entidades ficarão temporariamente sem este benefício. A alegação é que elas não estão amparadas legalmente, já que o repasse foi decidido apenas verbalmente em administrações passadas. Com esta decisão, o número de passes mensais para entidades cai de 90 mil para 45 mil.
Esta medida desagradou o presidente do Conselho Tutelar. ‘‘Foi uma decisão infeliz e precipitada que trará consequências graves.’’ Na sua opinião, as entidades e o Conselho Tutelar deveriam ter participado da reunião.
Julio Botelho alega que as 11 entidades atendem uma demanda grande do Conselho Tutelar, isto é, trabalham com crianças e adolescentes em situação de risco. São menores que viviam nas ruas, cuidando de carros, mendigando e que, muitas vezes, se envolveram com drogas.
Segundo Julio Botelho, o passe gratuito é umas das principais condições que faz com que os menores frequentem as entidades. Ele ressalta que a grande maioria dos menores vem de famílias com renda baixa que não têm condições de arcar com custos de transporte. ‘‘Sem os passes, eles vão abandonar as entidades e voltar para as ruas’’, afirma. Ele ressalta que qualquer empecilho é motivo para que os menores voltem à rua.
A secretária de Ação Social, Marisa Goettel do Nascimento, disse, anteontem, que serão estudadas alternativas para ajudar as entidades. Essa afirmação não convenceu Julio Botelho. Ele alega que, enquanto uma solução não é encontrada, as crianças ficarão sem transporte gratuito.
Na tentativa de rever este acordo, Julio Botelho diz que enviará hoje ofícios à Secretaria de Ação Social, Companhia Municipal de Urbanização (Comurb) e gabinete da Prefeitura. O documento pede ainda que nas próximas reuniões o Conselho Tutelar e as entidades envolvidas sejam convidadas a participar.
Marisa Goettel não foi econtrada ontem pela Folha porque estava viajando. A chefe do Departamento Técnico da Secretaria, Sandra Bianconi, lamenta o fato de os acordos verbais terem sido celebrados há vários anos e até hoje não terem feito algo que desse respaldo legal às entidades.
Sandra Bianconi ressalta que o estudo das alternativas para atender as 11 entidades começa hoje à tarde, na Comurb. Será realizada uma reunião para discutir alterações na lei do transporte gratuito.

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