Conselho também denuncia professora
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quarta-feira, 08 de julho de 1998
Edna Mendes 
O Conselho Tutelar da Criança e do Adolescente de Foz do Iguaçu deve encaminhar nos próximos dias à Promotoria de Justiça um documento com denúncias de que a professora Aparecida Jaqueline Bulbiack, 26 anos, que está sendo acusada de ter espancado a estudante M.P.W., de seis anos, também já havia espancado outras crianças para as quais dava aulas na Escola Municipal Dirceu Lopes.
As denúncias foram feitas ao órgão pelos estudantes da primeira série, quando foram interrogados sobre a agressão que a menina teria sofrido na sala de aula na sexta-feira. Eles confirmaram que a professora bateu na menina. Além disso, outras crianças também relataram que já haviam sido agredidas pela professora, disse ontem o conselheiro Pedro Machado Leite, que acompanha o caso.
Anteontem, em entrevista à Folha, a secretária municipal de Educação, Rosicler Hauagge do Prado, disse que o caso era muito delicado, mas que também poderia existir a possibilidade de que a menina tivesse sido agredida em casa.
O conselheiro Machado Leite informou que esteve na casa da estudante e que esta possibilidade levantada pela secretária de Educação está praticamente descartada. Aparentemente a família é bem organizada e não constatamos que existam problemas de relacionamento entre eles. A menina também não demonstra estar mentindo sobre o autor da agressão, até porque as outras crianças confirmaram que foi a professora, afirmou.
A menina teve ferimentos nas costas, nádegas e braços. Devido a gravidade dos hematomas, ela precisou ser hospitalizada porque é portadora da doença conhecida como púrpura. Esta doença consiste em manchas resultantes do extravasamento de sangue na pele.
A médica dermatologista Suzana Basile Arar explicou que existem vários tipos de púrpura e que os portadores da doença devem tomar cuidado com agressões na pele. Quem tem púrpura tem que tomar cuidado para não se machucar porque dependendo do tipo da doença, a pele fica com grandes hematomas que demoram para desaparecer, disse.
Segundo informações da Secretaria Municipal de Educação, a professora Aparecida sempre teve conduta profissional exemplar. A Folha tentou localizar a professora, mas não conseguiu contato. Apenas foi informada de que ela contratou um advogado para se defender das acusações de agressão.


