Conselho suspende atendimento em Foz
PUBLICAÇÃO
sábado, 21 de novembro de 1998
Edna Mendes 
O Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente de Foz do Iguaçu está, desde anteontem, com as atividades parcialmente paralisadas devido ao atraso no pagamento dos salários dos conselheiros. O pagamento é feito pela prefeitura. O Conselho também estava atendendo casos que não são de sua competência.
Desde anteontem, o Conselho só está atendendo casos de emergência que são os classificados como abuso sexual, agressão e espancamento. Cerca de 20 pessoas estão deixando de ser atendidas diariamente. Segundo informações do Conselho, nos últimos cinco meses os salários estão sendo pagos com atraso ou parcelados.
Os conselheiros reclamam ainda que estão enfrentando dificuldades no trabalho de rotina porque atendem muitos casos que são de competência de órgãos como as secretarias municipais da Criança, de Saúde e de Educação.
A vice-presidente do conselho, Fátima Dalmagro, disse que o órgão acaba não tendo como atender casos que não são de sua competência e que isso prejudica a imagem diante da comunidade. As secretarias mandam muitos casos que não temos como resolver, por exemplo, gente com receita médica. As pessoas acabam não entendendo que isso não é atribuição nossa e a imagem do Conselho fica em descrédito.
Fátima também lembra que um dos requisitos para que alguém seja conselheiro é a idoneidade moral. Se não recebermos nossos salários não temos como pagar nossas contas. Ficamos mal vistos. Cada conselheiro recebe mensalmente R$ 1,4 mil da prefeitura. Além dos cinco conselheiros, quatro funcionários atuam no órgão.
Em vez de encaminharmos os casos que atendemos para as secretarias darem o tratamento final, elas é que mandam todo mundo para o conselho. Nós não temos que satisfazer o prefeito, mas sim toda a comunidade, disse Fátima.
A direção do Conselho informou que procurou solução nas secretarias municipais da Criança, de Administração e da Fazenda, mas não obteve resposta. Ontem, a Folha procurou os secretários Inelsi Savaris (da Criança), Coiti Suzuke (da Fazenda) e Adevilson Gonçalves (da Administração) diversas vezes, mas nenhum deles atendeu a reportagem. A informação é que participavam de reuniões e não podiam atender. Também não retornaram as ligações.
A direção do conselho informou que as atividades só serão reestabelecidas quando a prefeitura normalizar os salários.


