O Conselho Tutelar de Campo Mourão conseguiu retirar da prostituição, durante o ano passado, 54 crianças e adolescentes. Doze delas foram retiradas somente em dezembro. Os números estão num relatório divulgado ontem pelo Conselho sobre as atividades realizadas em 2000. Segundo o presidente do órgão, Samoel Kozelinski, a prostituição infantil é um dos principais problemas e um dos maiores desafios do Conselho Tutelar.
‘‘O número de meninas que estão se prostituindo pela cidade é pelo menos três vezes maior do que a quantidade recuperada pelo Conselho’’, afirma Kozelinski. Ele conta que são feitas pelo menos 15 denúncias por mês, mas nem sempre é possível comprar a ação. Dos casos que passaram pelo Conselho, a maioria envolve meninas de 12 a 15 anos, que cobram de R$ 10,00 a R$ 50,00 por ‘‘programa’’. Poucas admitem que se prostituem por problemas financeiros.
Conforme Kozelinski, as menores atendidas pelo conselho reclamam que não são compreendidas pelos pais e que, em casa, ninguém se importa com elas. ‘‘Algumas chegam a dizer que o único abraço que recebem é de um homem na cama’’, conta o presidente do Conselho, que foi padre durante nove anos. Para Kozelinski, a maior dificuldade de retirar essas meninas da prostituição é o fato delas não acharem que estão praticando algo negativo.
O acompanhamento do Conselho Tutelar mostra que a grande maioria dos pais não sabe que as filhas estão se prostituindo. O órgão também constatou que as meninas fazem ‘‘ponto’’ em paradas de ônibus e em telefones públicos e, quase sempre, passam despercebidas. Kozelinski conta que também já se tornou comum em Campo Mourão adolecentes ‘‘sumirem’’ na sexta-feira à noite e aparecerem somente na segunda-feira.
O presidente do Conselho Tutelar desconfia da existência de uma rede de prostituição infantil. ‘‘Ainda não temos provas, mas há vários indícios’’, conta. Segundo Kozelinski, também é comum que as adolescentes tenham encontros marcados em outras cidades da região. Ao mesmo tempo que 54 meninas foram consideradas recuperadas pelo Conselho, vários homens passaram a responder por processo ao serem denunciados pelas menores.
O relatório do Conselho Tutelar de Campo Mourão também revela que, durante o ano passado, 39 adolescentes gestantes e solteiras passaram pelo órgão. ‘‘Esses são apenas os casos de meninas que, com a gravidez, não foram aceitas pela família’’, ressalta Kozelisnki. Mas nem tudo é negativo no relatório do Conselho. A evasão escolar, que em 1999 envolveu mais de mil estudantes, no ano passado teve apenas 54 casos registrados pelo Conselho Tutelar.

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