Remédio para dores de cabeça e estômago, relaxantes musculares, xaropes, antibióticos ou antiinflamatórios. Apesar de condenado pelo Conselho Regional de Farmácia do Paraná (CRF-PR), quase todo mundo mantém o hábito de ter uma farmácia em casa.
A veterinária Maialu Freire Heim mantém uma pequena farmácia com itens de primeiros-socorros para tratar das emergências dos filhos de três e seis anos. ''Tenho remédio para febre, cortes, machucados e queimaduras para as crianças e para mim, porque mexendo na cozinha às vezes a gente se corta também.''
Segundo Maialu, o próprio pediatra das crianças orientou que ela tivesse em casa um medicamento para conter a febre. ''Mas ele disse que caso o sintoma se prolongasse eu devia procurá-lo primeiro, antes de ir a uma farmácia'', completa a veterinária, que também mantém um inalador em casa. ''Mas uso sem qualquer medicamento'', diz Maialu, garantindo saber exatamente como agir quando alguma situação corriqueira acontece. ''Sei como proceder, mas não deixo de ir ao médico ou levar as crianças ao pediatra.''
A pensionista Aparecida Refundini de Souza, de 60 anos, sempre manteve uma farmacinha caseira até o dia em que o marido, o aposentado Alcino Miranda de Souza, 64, sofreu um acidente vascular cerebral (AVC). Desde então, ela se apega às opções mais naturais, como chás de espinheira santa, camomila e hortelã, e aos remédios prescritos pelo médico.
''Gastamos cerca de R$ 850 em remédios todo mês porque meu marido tem que controlar, entre outras coisas, a diabetes. Também tenho dois remédios para dor que costumo tomar quando tenho crises de enxaqueca, mas é só'', conta Aparecida. Ela garante que é contra a auto-medicação e que quando os filhos eram pequenos, costumava levá-los ao médico antes de dar qualquer remédios a eles. ''Até porque sou alérgica a alguns tipos de remédio e eles puxaram a mim.''
''A recomendação geral é ter o mínimo possível de medicamentos em casa para evitar problemas como a auto-medicação e intoxicações'', reforça o farmacêutico coordenador do Centro de Informação sobre Medicamentos do CRF-PR. Mesmo contra a manutenção de uma farmácia caseira, ele acredita que é possível ter em casa alguns medicamentos simples, com os quais a pessoa já esteja acostumada, ''desde que o paciente busque informações sobre o remédio antes de consumi-lo''.
Segundo ele, fracionar os medicamentos seria o ideal. ''O governo federal já publicou leis mas as farmácias ainda não aderiram''. Conforme o farmacêutico, a indústria ainda está se adaptando, principalmente com a criação de embalagens específicas, já que cada comprimido deve conter informações como a data de validade e o número do lote para controle tanto da indústria quanto do paciente.
''No Paraná a legislação é diferente dos outros estados brasileiros. Aqui, o paciente não consegue comprar o remédio isento de prescrição por conta própria, só no balcão da farmácia'', ressalta o coordenador. Segundo ele, esta é uma forma de o farmacêutico se responsabilizar pela venda. ''O paciente até leva o que quer, mas passa por uma análise do problema de saúde dele antes.''
Conforme o farmacêutico, 25% dos casos de intoxicações no Brasil são decorrentes do uso indiscriminado de remédios. Para a farmacêutica Conceição Turini, coordenadora do Centro de Controle de Intoxicações do Hospital Universitário (HU) de Londrina, é importante conscientizar a população a sempre ouvir o médico antes de consumir qualquer medicação.
''O medicamento se comporta de forma diferente no organismo de uma criança, de um adulto e de um idoso. Crianças e idosos, por exemplo, são mais suscetíveis a reações adversas pois têm um metabolismo diferente de um adulto'', explica.
Conceição é contra manter remédio em casa sem necessidade. Para ela, tão importante quanto a função de cura é o efeito nocivo de um medicamento no organismo humano. ''É o médico que avalia o problema e diz qual o melhor remédio indicado para combatê-lo. A auto-medicação é preocupante e perigosa.''

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