Um prédio na zona rural de Tamarana, inaugurado em 1983 com o objetivo de funcionar como Colônia Penal Agrícola, pode ser a solução para amenizar o problema de superlotação na Penitenciária Estadual de Londrina (PEL) e, consequentemente, nos distritos policiais da cidade. A opinião é de membros do Conselho Comunitário de Segurança da Região Norte do município. Na última sexta-feira, eles visitaram o local e voltaram convictos de que o prédio - com três pavilhões prontos - poderia ser utilizado para abrigar detentos em regime semi-aberto.
''Ao contrário do que muitos pensam, o local não está deteriorado. Acho que o governo do Estado não tem noção de que o edifício está em tão boas condições'', afirmou o presidente do conselho, Carlos Costa. Segundo ele, a obra nunca funcionou como colônia penal. Durante um período, a construção foi utilizada como depósito de embalagens de agrotóxicos, que teriam contaminado o lugar e inviabilizado o uso. ''Mas nós fomos lá e não sentimos nem cheiro de veneno'', argumentou.
De acordo com Osvaldir Gomes de Oliveira, presidente da Federação das Associações de Moradores e Demais Entidades Civis Organizadas de Londrina, que também é membro do conselho, as duas entidades estimam que o local teria capacidade de receber 100 detentos após algumas reformas. ''Depois de concluída, a colônia poderia abirgar até 600 detentos'', informou. Para levar a idéia ao Governo do Estado, o Conselho convidará representantes das secretarias de Segurança Pública e Justiça para conhecer a estrutura no próximo dia 31 de março.
O juiz Roberto do Valle, da Vara de Execuções Penais (VEP) de Londrina, afirmou que a cidade tem necessidade de uma unidade de regime semi-aberto. ''Mas não sei se o Estado tem interesse em investir naquele local'', comentou. Segundo ele, o déficit de vagas para presos já condenados em Londrina, no regime fechado, soma 300 lugares. ''Também precisamos de 300 vagas para presos provisórios'', afirmou.
O chefe regional do Instituto Ambiental do Paraná (IAP) em Londrina, Ney Paulo, acredita que a antiga colônia penal não tenha condições de abrigar presos no atual estado em que se encontra. ''Há necessidade de fazer uma análise do local e, provavelmente, um trabalho de descontaminação por causa dos agrotóxicos'', opinou.
Independentemente das condições da construção, a Secretaria de Justiça não se empolgou com a idéia do Conselho Comunitário de Segurança. Através de sua assessoria de imprensa, o secretário Aldo Parzianello informou que o órgão descarta qualquer hipótese de construção de unidade prisional de semi-aberto em Londrina. Segundo ele, o compromisso da secretaria é concluir as obras da unidade de Maringá, que deverá atender a demanda da região.
Condições de trabalho A superlotação dos distritos policiais de Londrina também preocupa os policiais civis que trabalham nestes locais. Amanhã, o Sindicato dos Policiais Civis de Londrina e Região (Sindipol) realiza uma assembléia para discutir as condições de trabalho da categoria. ''Os policiais ficam sozinhos nos distritos, trancados com mais de 100 detentos, sem saber o que ocorre dentro das celas. Esses policiais acabarão internados com problemas psicológicos'', criticou Ademilson Antônio Alves Batista, presidente do sindicato. A reunião se realizará às 18 horas. A questão salarial também será discutida. Segundo Batista, 150 policiais civis atuam em Londrina. ''A necessidade é de pelo menos 450'', afirmou.

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