Representantes do Conselho Municipal de Saúde (CMS) e funcionários públicos de Foz do Iguaçu protestaram ontem, em frente à Prefeitura, contra os cortes na saúde pública. Eles permaneceram na entrada do prédio durante a manhã, mas não chegaram a bloquear o acesso nem a rua, como ocorreu no último manifesto da categoria, em outubro. O ato, com quase duas horas de duração, foi pacífico.
Além da exposição de faixas, os cerca de 50 servidores distribuíram panfletos denunciando as mudanças decretadas pelo prefeito Harry Daijó (PPB) e pelo secretário municipal de Saúde, Sadi Buzanelo. ‘‘Falta atendimento nos postos, faltam médicos, exames, cirurgias, leitos hospitalares e medicamentos. Cortaram até o leite das crianças desnutridas’’, acusa o documento entregue à população.
O presidente do CMS, José Elias Aiex Neto, afirma que o objetivo é forçar o governo a receber a comissão de transição criada para explicar a polêmica na saúde pública. O grupo, formado há 20 dias por três membros do conselho e quatro da Secretária de Saúde, ainda não se reuniu, conforme Aiex.
As denúncias do conselho levaram a Câmara de Vereadores a criar uma Comissão Especial para investigar o caso. Sadi Buzanelo deveria ter prestado depoimento anteontem, porém faltou a sessão em virtude de ‘‘problemas de saúde’’. O atestado foi assinado pelo diretor de assistência médica da Secretária de Saúde, Maurílio Mota Silva.
Em outubro, a administração reduziu de 150 para 110 o número de leitos do Sistema Único de Saúde (SUS) da Santa Casa Monsenhor Guilherme – principal hospital do município. Também suspendeu as cirurgias eletivas (sem emergência ou urgência) e reduziu o horário de funcionamento de parte dos postos de saúde. O CMS denuncia ainda o corte de verbas em programas de assistência médica na cidade.
Segundo o secretário, as mudanças não prejudicaram o atendimento à população. Para ele, a alteração no expediente dos postos possibilitou um reforço nas assistências porque as equipes que trabalhavam à tarde agora atendem pela manhã. Buzanelo nega o corte no fornecimento de remédios e garante que a redução de leitos é reflexo da queda no número de usuários do SUS nesta época do ano.

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