Conselho previne reincidência de crimes
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quinta-feira, 02 de dezembro de 2004
Carolina Avansini<br>Reportagem Local 
Ibiporã A reestruturação das famílias dos detentos é uma arma importante para evitar a reincidência no crime e diminuir a violência. Em Ibiporã (14 km a leste de Londrina), onde os quase 45 mil habitantes se assustam com a crescente criminalidade foram 19 homicídios em 2004 contra nove assassinatos registrados no ano passado , o Conselho da Comunidade atua, há cinco anos, na prevenção da violência através de ações junto às famílias dos criminosos.
Os resultados não foram quantificados. A assistente social da instituição, Silvana Aparecida Alves Ribeiro, ressalta, entretanto, que a melhoria da qualidade de vida das famílias atendidas colabora para a ressocialização dos presos e sua aceitação após a saída da detenção. As ações são de assistência social ou educativas e incluem desde a distribuição de cestas básicas até o encaminhamento de crianças para creches e escolas ou auxílio para providenciar documentos. ''Muitos presos e familiares não possuem sequer a certidão de nascimento'', conta ela.
Outra frente de atuação é o encaminhamento para serviços como o Bolsa Escola e o Auxílio Reclusão (disponível para famílias de detentos que estavam desempregados há menos de um ano na época da prisão). Esses programas são fundamentais para aquelas pessoas que ficam sem fonte de renda quando o provedor da residência vai para a cadeia. ''Nosso objetivo é informá-las sobre seus direitos'', esclareceu.
A presidente do Conselho da Comunidade, Jacqueline Machado Urquiza Monteiro, revelou que a entidade também estimula a manutenção dos vínculos familiares. Quando o detento é transferido para penitenciárias de outras regiões, são viabilizadas passagens para que os parentes possam visitá-lo.
Para o ano que vem, um dos projetos é promover ações educativas dentro da cadeia do município. Com a utilização de uma televisão e um video-cassete doados pelo Banco do Brasil, ela pretende trabalhar a prevenção de doenças sexualmente transmissíveis (DST) e incentivar o planejamento familiar durante os dias de visita. ''A superlotação atrapalha essas atividades'', disse, acrescentando que o local tem capacidade para 26 presos mas aloja mais de 60.
O auxílio do conselho foi fundamental para a família de Eunice dos Passos César, 48. Quando seu genro Adão dos Santos Oliveira foi preso por homicídio, há um ano e quatro meses, ela, a filha e os três netos ficaram sem fonte de renda. Sem passagens anteriores pela polícia, Oliveira é trabalhador rural e cometeu o crime em Cândido de Abreu (191 km ao sul de Apucarana), onde tinha ido visitar a mãe. ''Ele foi e não voltou mais'', contou.
Eunice procurou o conselho para conseguir passagens de ônibus. ''Minha neta de 5 anos perguntava muito pelo pai. Eu queria levar a menina até lá'', disse. Após o contato com a entidade, ela viabilizou o recebimento do auxílio reclusão, equivalente a um salário mínimo. Quando recebeu os meses atrasados, referentes ao ano que Oliveira ficou preso sem o benefício, a dona-de-casa levou os três filhos do casal para visitar o pai. ''Ele ficou muito contente'', conta.
Foi também o Conselho da Comunidade que viabilizou o pagamento do Benefício de Prestação Continuada (BPC) para o ex-detento Adriano Cesário, 29 anos. O salário mínimo mensal é recebido por pessoas de baixa renda que, por motivo de doença, não possuem condições de trabalhar.
Segundo a mãe de Cesário, Aparecida de Jesus Oliveira, 55, o filho é portador de um distúrbio psiquiátrico e foi preso por furto. ''Ele não sabe o que faz'', afirmou. Por causa da doença, após passar um ano na cadeia de Ibiporã, ele foi transferido para o Complexo Médico, em Curitiba. De volta para casa, precisa de cuidados constantes e acompanhamento para não abandonar o tratamento contra o alcoolismo e o vício em drogas. ''Fui demitida do serviço porque faltava muito. Agora, vivemos do benefício dele'', relatou.


