Milton DóriaDureza!Entre os ‘garimpeiros do lixo’ estão 19 menores, sendo que dez deles não completaram 14 anosO Conselho Tutelar dos Direitos da Criança e do Adolescente de Londrina quer afastar os menores do trabalho no Aterro Sanitário (zona leste). Levantamentos do Conselho revelam que atualmente nove crianças (menores de 14 anos) e dez adolescentes dividem o espaço com os adultos no Lixão, ajudando os pais no sustento da casa. O Estatuto da Criança e do Adolescente proíbe, no artigo 60, qualquer trabalho a menores de 14 anos, salvo na condição de aprendiz.
A idéia do presidente da entidade, Júlio Botelho, é envolver a Prefeitura em uma ação de emergência para combater o trabalho infantil no Lixão. Ele pretende convocar a Autarquia Municipal do Ambiente (AMA), e as secretarias municipais de Ação Social, Saúde e Educação e estudar uma solução para os menores que trabalham no local.
Ontem, Botelho esteve no Lixão pela manhã e à tarde para conversar com o grupo de menores. Apenas três deles foram encontrados. Mesmo tendo falado com a minoria deles, Botelho conclui que para tirar os menores do Aterro Sanitário só mesmo oferecendo outra fonte de renda. ‘‘Eles até aceitam um encaminhamento mas querem saber quem vai pagar a conta de água e luz da casa deles.’’, disse o conselheiro.
‘‘O problema é social. Os meninos que trabalham no Lixão ajudam os pais com o dinheiro. Precisaríamos achar uma solução econômica para essas famílias. Eles precisam ter fonte de renda.’’ Botelho conta que um dos adolescentes encontrados ontem afirmou que tira em média R$ 150,00 por mês com o serviço. Os três adolescentes que trabalhavam no Lixão ontem se negaram a conversar com a Folha.
As crianças e os adolescentes vão ao Lixão muitas vezes acompanhados dos pais, que também trabalham no local. Ontem, nenhum desses pais foi encontrado. Segundo informações de catadores de lixo, seis crianças de uma só família, menores de 12 anos, estão no Lixão diariamente. Uma das crianças, segundo eles, tem apenas dois anos e fica ao lado da mãe enquanto ela faz a seleção do lixo. A família mora numa casa de madeira, a cerca de três quilômetros do Aterro. Ontem à tarde a casa - cercada por lixo já separado e embalado - estava vazia.
Julio Botelho ressalta que o trabalho no Lixão é de alto risco para as crianças - embora reconheça que o risco é grande também para os adultos. ‘‘Há o perigo de acidentes e de contaminações graves’’, avalia. A preocupação do Conselho é evitar a permanência desses menores no local e, ainda, conter o acesso de novas crianças.
Uma das saídas para o problema, pelo menos para o grupo maior de 14 anos, na opinião do presidente do Conselho Tutelar, é a conclusão da usina de reciclagem. A sugestão de Botelho é aproveitar esses adolescentes no trabalho da Usina. Ele acredita que até mesmo os adultos que trabalham no Lixão poderiam ser empregados na usina de reciclagem. ‘‘Sabemos que essa é uma solução a longo prazo.’’
Botelho pretende encontrar a solução imediata a partir da reunião com a AMA e demais secretarias. ‘‘Vamos levar o problema e pretendemos encontrar uma saída em conjunto.’’ Uma outra idéia de Botelho é a proibição, por um profissional da AMA, da entrada de menores no Lixão.
(Adriana De Cunto e Edmara Michetti)

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