O Conselho da Comunidade de Londrina vai solicitar um habeas-corpus para todos os presos que estão nos distritos policiais da Cidade. Segundo o presidente da entidade, Walter Bittar, o habeas-corpus serviria para garantir os direitos humanos dos detentos.
A informação foi passada pelo juiz da Vara de Execuções Penais (VEP), Roberto do Valle, que também deverá ser responsabilizado pela superlotação das celas, a promiscuidade entre os presos e as péssimas condições dos DPs.
‘‘Ainda não sei como vou agir diante desta denúncia, que não deixa de ter procedência. Sou o juiz corregedor e pela lógica me encontro em parte como representante do Estado. E o Estado não resolve o problema’’, afirma o juiz. Ele diz mais uma vez: para resolver os problemas das fugas e para melhorar a condição vida dos presos, a solução definitiva seria a construção da Cadeia Pública e da Prisão Provisória.
A polêmica sobre os presos de Londrina aumentou com a fuga no 3º Distrito Policial, ocorrida na noite de domingo. Dos 67 presos, fugiram 42. Um deles inclusive escapou em cadeira de rodas. A polícia conseguiu recapturar 18 presos. Quatorze foram encontrados no domingo e na segunda-feira. Ontem, dois fugitivos se apresentaram espontaneamente no 3º DP. Os policiais também recapturaram ontem Leonardo Moreira Lemos e Maychol Oliveira da Silva.
O investigador Antonio Amaro Nacimento, um dos responsáveis pela guarda dos detentos, foi preso em flagrante por facilitação de fuga.
A prisão do policial causou revolta entre seus colegas, que denunciaram o sistema prisional do Paraná como ‘‘ultrapassado’’ e ‘‘injusto’’. O presidente do Sindicato dos Policiais Civis, Ralph Green de Oliveira, comenta: ‘‘O que os policiais estão fazendo - guardar presos - foge à nossa função. Nascimento não poderia ser enquadrado no crime doloso (intencional)’’. O investigador deve ser libertado hoje. De acordo com o Sindicato, ele tem 20 anos de funcionalismo público sem nunca haver cometido irregularidades.

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