Conselho pede boicote ao trabalho infantil
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sábado, 08 de setembro de 2001
Sid Sauer 
O Conselho Tutelar de Campo Mourão está distribuindo panfletos pela cidade pedindo às pessoas que boicotem o trabalho realizado por menores de 16 anos. ''Vamos evitar a exploração do trabalho de crianças e adolescentes'', frisa o impresso. Até agora, cinco mil panfletos já foram distribuídos e o conselho negocia a impressão da mensagem em sacolinhas de supermercados.
''Não dê à criança e ao adolescente a esmola; não permita que ele cuide do seu carro, não compre dele nem sorvete, doce ou salgadinho; não permita que ele engraxe o seu sapato, nem dê papel para encher o seu carrinho'', afirma um trecho do panfleto. A campanha pede que as pessoas orientem e promovam a dignidade da criança e do adolescente.
O presidente do Conselho Tutelar, Samuel Kozelinski, admite que a sociedade não vê com bons olhos a realização da campanha, mas nega que o órgão esteja sendo radical. ''Só estamos querendo que seja cumprido o que diz a lei, que lugar de criança é na escola'', disse. ''Aos poucos as pessoas estão se conscientizando disso''.
Segundo Kozelinski, as críticas à campanha partem, geralmente, de quem trabalhou na adolescência e agora acha que o filho também deve trabalhar. ''O trabalho não é essencial para uma criança. Essencial é o estudo'', responde o presidente. Ele também diz não acreditar que o boicote ao trabalho infantil faça aumentar o número de crianças delinquentes.
''A delinquência surge quando a criança tem a liberdade para estar na rua'', disse Kozekinski. De acordo com ele, a maioria dos menores delinquentes de Campo Mourão não estuda e passou a infância nas ruas, sem o amparo de uma família estruturada. Ele lembra ainda que menores a partir de 14 anos podem trabalhar como aprendizes por meio de convênios.
''Infelizmente, em Campo Mourão, nenhuma empresa realiza esse serviço'', afirmou Kozelinskli. O presidente do Conselho Tutelar afirmou que o trabalho do aprendiz é mais voltado para o pedagógico do que para a produção e, por isso, não há interesse das empresas.


