Conselho mantém diretores da Cohab
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segunda-feira, 14 de abril de 1997
Luka Morais 
Dorico da SilvaMoradia barataJosé Caetano Perri: Tudo o que está sendo questionado pela CEI foi colocado como prioridade da CohabMembros do Conselho de Administração da Companhia de Habitação (Cohab) de Londrina decidiram, em reunião ontem de manhã, manter a diretoria do órgão e acatar o pedido de demissão do presidente da companhia, José Caetano Perri, que deixa o cargo alegando recomendações médicas e motivos particulares. Perri será substituído pelo engenheiro civil Wilson Mandelli, que toma posse hoje, às 16 horas, no gabinete do prefeito Antonio Belinati.
Os diretores Heleno Solano Rabello (técnico), Fernando Barros (admistrativo) e Paulo Franzon (financeiro) colocaram os cargos à disposição na última sexta-feira, após o pedido de demissão de Perri. Foi um ato de solidariedade, mas o Conselho de Administração decidiu que deveriam ser mantidos nos cargos, disse Perri. O Conselho de Administração é formado pelo presidente da Cohab e por dois representantes da Câmara de Vereadores e dois do Executivo.
Apesar de ter confessado que ficou abalado com a criação de uma Comissão Especial de Inquérito (CEI) para apurar irregularidades na construção de casas de fibrocimento, o presidente demissionário reafirmou em entrevista à Folha que deixa a presidência da Cohab para se dedicar aos negócios. Tenho uma empresa agrícola no Mato Grosso e há 40 dias não vou à minha propriedade.
O prefeito Antonio Belinati determinou a criação da CEI porque tem certeza da minha honestidade e da transparência de todos os atos praticados, afirmou Perri. Prova disso, afirmou ele, é que tudo o que está sendo questionado pela CEI foi colocado como prioridade da Cohab, ou seja, a necessidade de moradia a baixo custo.
Sobre a execução do projeto-piloto desenvolvido pela Grande Piso Revestimento Ltda., de Foz do Iguaçu, que prevê a construção das casas no conjunto Hilda Mandarino, zona norte, Perri disse que não houve licitação porque a obra estava sendo feita a custo zero. A construção começou em fevereiro e não havia prazo para conclusão.
A experiência não foi divulgada, segundo ele, porque a Cohab pretendia promover uma festa na sua apresentação. A Cohab cedeu o terreno e a construtora entrou com material e mão-de-obra.
Além dos membros do Conselho de Administração da Cohab - Moysés Leônidas, Carlos Alberto Rocha, Haroldo Marçal, Gilberto Mátine e José Caetano Perri - também participaram da reunião ontem na Cohab os diretores da companhia; o presidente da CEI, Jaci Aguiar, e, representando o prefeito, o secretário de Negócios Jurídicos, Eduardo Duarte Ferreira.
Conforme Perri, a CEI deverá contribuir para a mudança na legislação que proíbe a realização de testes nessa área (ver box). Os vereadores tiveram oportunidade de conhecer o projeto, disse. Ele defende mudanças na legislação que permitam novos experimentos nessa área para baratear o custo da construção. No caso desse projeto, a economia é de 50% em relação à construção tradicional. As 10 casas com modelos diferentes seriam submetidas a análises após concluídas. Sua execução, disse Perri, consta em ata da reunião do Conselho de Administração.
As casas de 40 metros quadrados teriam um custo em torno de R$ 110,00 a R$ 120,00 o metro quadrado que, acrescido do valor do terreno e custo do financiamento, chegaria a R$ 12 mil a unidade. Seriam financiadas em 25 anos e as prestações mensais seriam de R$ 40,00. Conforme José Perri, havia a intenção de alugar as 10 unidades do projeto-piloto no período de 12 a 18 meses. Seria dada preferência às pessoas que encabeçam a lista de espera da Cohab. Caso fossem aprovadas, os moradores já ficariam com os imóveis e teriam as parcelas do aluguel deduzidas do valor total do financiamento.
Perri afirma que o projeto-piloto não beneficiaria a empresa Grande Piso, que construiu casas no mesmo sistema na Vila Tecnológica, em Curitiba, em Foz do Iguaçu e Irati. Segundo ele, caso os testes fossem aprovados, seria feita licitação e as construtoras que apresentassem valores inferiores, mesmo que no sistema tradicional de construção, seriam escolhidas. Nossa intenção era beneficiar a população, encontrando alternativas de baixo custo, enquanto não se tem recursos disponíveis para o setor.


