Conselho e oficiais negam ofensas racistas
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terça-feira, 09 de agosto de 2005
Vanessa Navarro<br>Reportagem Local 
O vice-presidente do Conselho Tutelar da Zona Sul de Londrina, Luiz Bárbara, declarou ontem à Folha que as ofensas de cunho racista sofridas pela doméstica Zenilda dos Reis, 36 anos, e o filho dela, de sete anos, ocorreram durante o mandato-tampão exercido entre o fim da gestão passada dos conselhos (20 de abril) e a posse dos novos conselheiros (14 de julho). Bárbara informou ainda que quando o conselheiro chegou à casa que vinha sendo ocupada pela família, uma assistente social do Fórum e um oficial de justiça já estavam lá há um tempo, e ele teria cuidado apenas do encaminhamento da criança para a casa da avó.
Há cerca de 20 dias, conforme denúncia de Zenilda, ela e seu filho teriam sido ofendidos durante o cumprimento da ordem de desapropriação de um imóvel no Conjunto Cafezal 1 (Zona Sul). O oficial de justiça teria dito à doméstica que invadir a casa ''só podia ser coisa de preto'', enquanto uma mulher que acompanhava o despejo e que a princípio acreditou-se ser uma conselheira tutelar teria gritado para a criança ''fica quieto, seu macaco''. As denúncias foram levadas à Comissão de Direitos Humanos da Subseção da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) em Londrina, que deve preparar uma ação contra os envolvidos.
Bárbara disse que soube do episódio pela reportagem e que entrou em contato com a OAB para se inteirar melhor do fato. Ele aguarda o relatório do órgão para proceder à apuração do caso, que deverá ser encaminhado à Corregedoria dos Conselhos. Bárbara afirmou ainda que o Conselho Tutelar só foi chamado para acompanhar a desapropriação porque havia uma criança envolvida. ''Conseguimos localizar a pessoa que fez o atendimento, e ele afirmou não ter presenciado nenhum tipo de agressão'', disse Bárbara. O mandato-tampão ocorreu devido ao atraso na seleção e eleição dos novos conselheiros. A reportagem tentou falar com o conselheiro, mas o seu celular permaneceu desligado.
No final da tarde de ontem, a Associação dos Oficiais de Justiça da Comarca de Londrina divulgou uma nota de repúdio, onde afirma que estes profissionais ''jamais tratariam as partes envolvidas em demanda judicial com desrespeito e menosprezo''.
Segundo a nota, o oficial cumpridor da medida comunicou as autoridades legais sobre a situação social e a gravidade da medida a ser cumprida. A Associação questiona os relatos feitos por Zenilda, afirmando que em momento algum ela foi tratada com desrespeito. O comunicado diz ainda que ela tomou conhecimento da referida medida há mais de três meses e não tomou medidas para defender os seus interesses. (Colaborou Silvana Leão)


