Conselho distribuirá cartilha sobre dengue
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sábado, 02 de março de 2002
Agência Estado 
RIO Em menos de uma semana, a dona de casa Dalma Santos Ramos, de 51 anos, teve febre alta, dores de cabeça, sangramentos, queda na pressão, vômitos e uma parada cardíaca. Dalma morreu em um hospital particular de um bairro de classe média do Rio de Janeiro (a Tijuca, na zona norte) na madrugada do último dia 16, vítima de uma complicação da dengue hemorrágica. Os médicos não tiveram tempo nem de interná-la na Unidade de Tratamento Intensivo (UTI).
No dia de sua morte, Dalma tinha ido ao hospital pela manhã, ficou algumas horas no soro e foi mandada para casa. Mais tarde, piorou, começou a vomitar sem parar e voltou ao hospital às 18h30. Ficou algumas horas em uma cadeira de rodas para apenas, um pouco antes de morrer (por volta de 1 hora da manhã), ser transferida para um leito comum. Foi uma enfermeira que notou que ela precisava ir para a UTI, mas já era tarde. Como a UTI do hospital estava cheia, não deu tempo de transferir, conta Marcílio Novalino Ramos, marido de Dalma.
O caso de Dalma não é o único que tem indícios de falhas na avaliação médica sobre a gravidade da doença e a necessidade de internação. Essa fatalidade indica ainda que muitos médicos podem estar despreparados para lidar com essa epidemia de dengue que, até a sexta-feira, matou 24 pessoas no Rio.
O próprio presidente do Conselho Regional de Medicina do Rio (Cremerj), Mário Jorge de Noronha, admite que há necessidade de treinar os médicos. Há muitos doutores que realmente não têm condições de lidar com casos graves de dengue e, por causa da explosão da doença, estão atendendo pacientes, afirma. Preocupado com isso, o Cremerj prepara um curso de treinamento sobre dengue para 200 médicos. Além disso, o conselho vai distribuir, na semana que vem, uma cartilha sobre o tratamento da doença para 50 mil médicos.
O infectologista e diretor do Hospital Universitário da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), Amâncio Carvalho, acredita que comunidade médica (incluindo as secretarias de Saúde) deveria ter elaborado e distribuído um documento com a rotina e os critérios para atender os pacientes graves de dengue.
Essas regras poderiam até compensar a inexperiência dos médicos porque daria a eles um roteiro a seguir. Carvalho alerta que a falta de experiência somada à pressão da ausência de tempo por causa do grande quantidade de pacientes nas emergências pode estar aumentando o número de mortes. A dengue pode evoluir para um quadro difícil de ser interpretado. Mesmo um médico bom e experiente pode errar, mas a chance de alguém que não conhece bem a dengue e que está atendendo dezenas de pacientes ao mesmo tempo errar é bem maior.


