Conselho destitui padre por dívidas
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quarta-feira, 06 de dezembro de 2000
Maurício Borges de Apucarana 
O pároco Antônio Taliari, de São do Ivaí (80 km ao sul de Apucarana), foi destituído da função pelo Conselho Diocesano de Presbíteros no dia 20 de novembro, mas o fato tornou-se público somente ontem com um comunicado de Taliari. Seu afastamento teria sido motivado por dívidas da paróquia junto à Mitra Diocesana de Apucarana, além da suposta conduta inconveniente, que vinha sendo denunciada por diáconos e fiéis.
Antônio Taliari é integrante da ala progressista da Igreja Católica, ligado à Pastoral da Terra, Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e ao Partido dos Trabalhadores (PT). Na última eleição municipal ele chegou a ser pré-candidato a prefeito, mas depois desistiu.
De acordo com a decisão do conselho, assinada por 14 padres da diocese, persistiam reclamações contra o padre em relação à administração financeira da paróquia. A ex-secretária da casa paroquial, Neire Lúcia Silva Costa, havia denunciado Taliari por depositar dinheiro da paróquia em sua conta particular.
O documento emitido pelo conselho relata ainda comportamentos inconvenientes e atitudes pastorais equivocadas, mas não define com clareza quais seriam os problemas relacionados à conduta do pároco.
No comunicado de destituição os padres deixam evidente o repúdio em relação a atitudes e estratégias de Taliari, consideradas inaceitáveis dentro da comunidade eclesial. Eles reagiram com indignação, principalmente em relação a pressões que teriam sido exercidas por Taliari junto ao bispo dom Domingos Gabriel Wisniewicz.
Ao reafirmar a decisão, o conselho determinou que ele fique sem função pastoral até nova deliberação. Desde então, Taliari deixou de celebrar missas e foi obrigado a desocupar a casa paroquial. Ele está morando numa sala cedida por um dono de uma funerária.
Em entrevista concedida ontem a emissoras de rádio e num comunicado que chegou às redações de jornais, Taliari se diz prejudicado pelo ex-padre da paróquia e traído por um falso diácono. Para ele, o bispo está sendo enganado.
Ele explica na nota que sua situação complicou-se por deixar de repassar os 13% sagrados à Mitra Diocesana. Para isso eu exigia que o ex-pároco local (Natalício) deixasse de apresentar programas na rádio local. Ele tem idéias contrárias às minhas e colocava os fiéis contra o meu trabalho. Eu só cumpriria as normas se tivesse liberdade para trabalhar e sem interferências externas. Como isso não aconteceu parei de mandar o dinheiro para a mitra, justifica.
Ele afirma que o dinheiro foi investido na construção de cinco capelas, reforma de outras três, restauração de duas igrejas, três salões comunitários e casa paroquial.
A Folha tentou ouvir o bispo diocesano de Apucarana, dom Domingos Gabriel Wisniewicz, mas foi informada de que ontem era seu dia de folga e que ele não se encontrava na Mitra.


