Conselho decide dia 5 se PR pode ter mais cursos
Se depender da comissão nomeada pelo Ministério da Educação (MEC) para estudar o assunto, o Paraná não deverá ganhar novos cursos de Odontologia tão cedo. A comissão, formada por profissionais das várias áreas de saúde, deu parecer contrário à criação de 81 faculdades de Odontologia no Brasil, das quais seis propostas por instituições paranaenses. O parecer também rejeita a criação de 11 novos cursos de Medicina no País. A decisão final será tomada no dia 5 de março, em reunião plenária do Conselho Nacional de Saúde.
Todos os pedidos para criação de cursos de Odontologia e Medicina foram apresentados por instituições particulares. No Paraná, os pedidos para abertura de vagas em Odontologia partiram das seguintes instituições: Faculdades Integradas Bom Jesus (Curitiba), Instituto de Ensino Vale do Iguaçu (Francisco Beltrão), Associação Educacional Iguaçu (Foz do Iguaçu), Faculdade de Educação de Ivaiporã (Ivaiporã), Faculdade Ingá e Faculdades Integradas de Maringá (ambas de Maringá).
Nenhuma dessas instituições foi considerada apta a oferecer o curso. Os pedidos foram analisados sob dois aspectos: o técnico e o da necessidade social de novas vagas. No aspecto técnico, apenas quatro das 85 instituições que desejam abrir cursos de Odontologia foram consideradas em condições de receber comissões verificadoras. A maioria só se preocupa em obter lucro e não tem corpo docente qualificado, com doutores e mestres, afirma o professor da UFPR Eros Petrelli, que integrou a comissão a convite do MEC.
Petrelli também fez parte da comissão designada pelo Conselho Nacional de Saúde para analisar a necessidade social dos cursos. Mais uma vez o parecer foi contrário. Dados levantados pela comissão mostram que o Brasil tem excesso de dentistas. O problema é a má distribuição geográfica desses profissionais. Enquanto em algumas regiões do Norte e Nordeste faltam dentistas, do Centro-Oeste para baixo sobram.
No Sudeste, por exemplo, há um dentista para cada 769 habitantes. A Organização Mundial da Saúde considera suficientes um para 1.500 habitantes.
Enquanto a população brasileira cresce a uma taxa anual de 1,82%, o número de dentistas cresce 2,76% ao ano. No Paraná, a desproporção é ainda maior: a população cresce 1,28% e os dentistas, 7,98% ao ano.
O mais grave é que grande parte dos cursos, especialmente os particulares, não oferece uma formação adequada, afirma Petrelli. O problema, segundo ele, se repete na área médica. A comissão apontou que, no Paraná, existe um médico para cada 897 habitantes, quando a relação considerada ideal é de um por mil.





