Conselho de Medicina faz campanha
O Conselho Federal de Medicina (CFM) realiza uma campanha pedindo o engajamento dos médicos na busca de crianças desaparecidas. De acordo com o pediatra e delegado do Conselho Regional de Medicina (CRM), Álvaro Luiz de Oliveira, de Londrina, calcula-se que em torno de 35 mil crianças e adolescentes se perderam no último ano no Brasil. ''Em torno de 15% não voltaram para suas casas, é uma quantidade assustadora'', observou.
Oliveira disse que o objetivo do CFM é preparar os médicos para identificar estas crianças, mas também prevenir desaparecimentos. ''Cerca de 70% das crianças perdidas fugiram de casa e muitas manifestam de alguma forma que estão prestes a tomar esta iniciativa. A proposta é identificar as crianças que estão sob risco e auxiliar na busca das que estão perdidas'', explicou.
Durante a consulta, segundo ele, o médico deve observar o estado emocional da criança. ''Aquelas que demonstram tristeza ou que procuram o pronto-socorro repetidas vezes com trauma porque se machucam muito, às vezes estão sendo machucadas'', afirmou. Ele destacou que as informações passadas pelo acompanhante devem ser checadas com o que a criança relata ou com os sintomas apresentados. ''Com adolescentes ou crianças maiores a gente deve dar oportunidade para eles falarem'', reforçou.
Caso o médico desconfie que a criança não pertence àquela família ou que ela está sendo maltratada, o Conselho Tutelar deve ser acionado. ''Diferenças físicas muito grandes entre os pais e a criança, faixa de idade muito próxima entre irmãos, diferença educacional, lesões de maus tratos são itens que devem ser levados em conta'', elencou. Oliveira disse ainda que o pediatra deve fazer um exame completo na criança e não se limitar a verificar a queixa apresentada. ''Não é comum identificarmos sinais de maus tratos nas crianças porque não estamos suficientemente preparados para isso, mas em breve devem chegar as cartilhas de orientação'', afirmou.
O pediatra destacou que maus tratos e disciplinas extremamente rígidas são os maiores motivos de fuga. ''O objetivo final deste trabalho é mais amplo, mas falta conscientização para que tenhamos um melhor resultado. É necessário vencer uma cultura e focar em procurar crianças e adolescentes que sofrem maus tratos'', disse. Segundo ele, o trabalho dos médicos não se limita aos consultórios. ''Cada Estado tem o seu cadastro de desaparecidos, mas vamos fazer um alerta para que os órgãos competentes tenham uma ação conjunta e façam um cadastro nacional. Também temos como objetivo cobrar as autoridades sobre este assunto''. (M.A.)
Serviço - Mais informações sobre a campanha do CFM no www.portalmedico.org.br





