O Conselho Universitário da UEL deu um voto de confiança ao reitor Pedro Gordan e decidiu ontem respeitar os atos executivos já assinados e os ‘‘futuros’’, seguindo determinação estabelecida no estatuto e no regimento da instituição. A proposta vencedora, do diretor do Centro de Ciências Biológicas (CCB), Luiz Carlos Bruschi, definiu que o reitor poderá editar os atos executivos e os conselheiros devem ser consultados posteriormente. Segundo Bruschi, ‘‘o Conselho tem o dever de fiscalizar, mas é o reitor que deve responder judicialmente’’.
Entretanto, o reitor não escapou dos protestos de estudantes e servidores e ainda foi contrariado na abertura da reunião. Ele previa que a reunião acontecesse a portas fechadas, mas a esmagadora maioria dos conselheiros permitiu o acompanhamento de servidores, estudantes e imprensa. Outro fato que chamou atenção foi a demissão do assessor jurídico da UEL, Gilbert Garcia de Souza. Segundo Gordan, ele alegou que iria se afastar por ter posições divergentes às do reitor e do Conselho.
Depois de admitir por mais de uma vez estar pronto para deixar o cargo se os conselheiros revogassem seus atos, Gordan comemorou. ‘‘Saio fortalecido e o Conselho Universitário muito mais. Não pode haver impasse entre conselheiros e o reitor, pois temos inimigos comuns’’, disse. Para ele, o dia de ontem foi de reconciliação. ‘‘De agora em diante, vou tomar muito mais cuidado para baixar atos e vou convocar o Conselho com muito mais frequência.’’
Com a cassação da liminar pelo Tribunal Regional Federal (TRF), de Porto Alegre (RS), que determinava a volta ao trabalho de 75% dos servidores, pelo menos um dos atos (o de número 003) assinados por Gordan perderá sua validade assim que a reitoria for notificada. O outro, de número 004, continua em vigência. Esse ato determina a reabertura e convocação dos servidores do Hospital Universitário (HU) e do Hospital de Clínicas (HC), atendendo a uma liminar da 10ª Vara Cível de Londrina, que ainda vigora.
O reitor já avisou que os servidores que não estiverem assinando o livro-ponto receberão punições. ‘‘Vai haver cortes (de salários) porque a Promotoria Pública colocou claramente isso, enquanto valer a liminar.’’.
‘‘O reitor vem fazendo ameaças desde o início da greve e mais uma vez ele se isola’’, comentou, frustado, o professor Cesar Caggiano Santos, do comando de greve. De acordo com ele, se o Conselho cumprisse a determinação de se reunir ordinariamente em todo o começo de mês, todas essas questões seriam decididas de forma mais consensual.

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