A reitora da Universidade Estadual de Londrina (UEL), Lygia Pupatto, instaurou ontem uma portaria encaminhando a decisão do Conselho Universitário em reunião realizada terça-feira, que definiu pela demissão do ex-coordenador da Assessoria de Assuntos Estudantis Ludovico Bonato e do secretário da assessoria, Carlos Eduardo Boni. Além das demissões, quatro servidores serão repreendidos e outros dois foram inocentados.
Essas foram as primeiras demissões geradas pelas investigações das nove comissões processantes montadas para averiguar denúncias de irregularidades na gestão do ex-reitor Jackson Proença Testa.
''Na maioria, são irregularidades pequenas, desvios quase todos dentro do limite para evitar licitação, mas que somou algo em torno de R$ 180 mil'', contabilizou o presidente da comissão de processo administrativo disciplinar, Fábio Furlanete. Os desvios teriam ocorrido entre 1996 e 2001.
Segundo Furlanete, os desvios teriam sido feitos através de ''uma série de mecanismos''. ''Ao invés de algum centro acadêmico pedir que realizasse serviço, se geravam serviços que não eram solicitados e que não eram prestados, uma série de compras de cartazes, ônibus para eventos'', exemplificou o professor.
Conforme Furlanete, nos seis meses em que a comissão averiguou a responsabilidade de servidores nos desvios, também se constatou falhas no sistema de compra e licitação da UEL e do governo. ''Ambos estão em desacordo com a lei, o que dificulta a fiscalização, por causa disso, nas notas de empenho não constam assinatura do ordenador.''
De acordo com a reitora, a portaria com as demissões somente terá eficácia após a publicação no Diário Oficial do Estado. Bonato também é alvo de um processo por abandono de emprego, que deve terminar os trabalhos nos próximos dias. ''Além da decisão do conselho, a demissão também poderá se embasar no abandono de emprego.''
A reitora também deverá encaminhar cópias das investigações ao Ministério Público ''para que se faça um processo para que haja o ressarcimento para a universidade.'' Lygia disse que também deverá encaminhar o relatório da comissão para o Estado para sanar a falha no sistema de compra e licitação destinado às instituições de ensino estaduais.
A Folha tentou entrar em contato com Bonato e Boni, mas eles não foram localizados.

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