Conselho da Comunidade ameniza os problemas
PUBLICAÇÃO
sábado, 29 de agosto de 1998
Giovani Ferreira 
Superlotação, falta de recursos financeiros para a manutenção dos presos, estrutura frágil e o risco iminente de fugas. Esta é a realidade do Minipresídio Hidelbrando de Souza, em Ponta Grossa, com capacidade máxima para 70 presos, mas que abriga atualmente 120 detentos.
Um dos problemas do minipresídio, também conhecido como Cadeião do Santa Maria - o nome faz referência ao bairro onde ele está localizado -, é o número de presos já condenados, que deveriam estar cumprindo pena em uma penitenciária. Dos 120 detentos, 60 já estão condenados e aguardam transferência.
O juiz corregedor Luiz Setembrino Von Holleben explica que em Ponta Grossa não existe um presídio, mas sim, uma cadeia pública. Os presos só não estão passando fome e vivendo em condições ainda mais precárias graças ao trabalho que vem sendo desenvolvido pelo Conselho da Comunidade, composto pela Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), empresários e segmentos organizados da sociedade, que auxilia na alimentação e no atendimento médico, odontológico e psicológico.
Um detento custa, por mês, de US$ 350 a US$ 400. Segundo o juiz, seria impossível manter a cadeia de Ponta Grossa somente com recursos do Estado, que repassa R$ 0,80 por dia para cada preso. Outro problema é a falta de um quadro próprio de funcionários. Quem faz a segurança e administração são policiais civis e militares. Se o cadeião fosse realmente um presídio, o quadro seria específico, pertencente a Secretaria de Justiça.
No entender do juiz corregedor, a única solução seria a construção de um presídio na cidade. A Prefeitura de Ponta Grossa já desapropriou uma área e doou ao Estado para a construção. Falta agora, segundo Setembrino, o empenho das forças políticas da cidade para a liberação dos recursos necessários à execução da obra.
Mortes No Hidelbrando de Souza ocorre pelo menos um fuga por ano. A mais grave aconteceu em julho do ano passado, quando fugiram 42 presos e um policial militar foi morto. A Secretaria de Segurança do Estado mobilizou mais de 100 homens e 20 viaturas na captura.
Nas buscas dois presos trocaram tiros com a polícia e morreram. Por coincidência, um dos fugitivos morto foi o autor do disparo que matou o policial durante a fuga. A maioria dos presos foi recapturada. Uma semana depois foi instalado um sistema de vigilância eletrônica no Santa Maria.
Porém, os recursos eletrônicos não foram suficientes para conter os presos. Cada vez mais audaciosos, há 30 dias um grupo de detentos cavou um túnel de aproximadamente sete metros de extensão por um metro de profundidade. Em um trabalho que não poderia ser concluído em menos de 15 dias, eles instalaram até energia elétrica no túnel. Dessa vez, sete presos conseguiram fugir.
Na avaliação do juiz corregedor Luiz Setembrino Von Holleben, as fugas demonstram a total fragilidade estrutural do presídio, que também enfrenta dificuldades pela falta de efetivo humano para coodernar o sistema carcerário.


