Conselho cuida de bebê índio
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sexta-feira, 15 de junho de 2001
Emerson DiasEnviado a São Miguel do Iguaçu 
A Casa Abrigo de São Miguel do Iguaçu (Região Oeste) está tratando de um bebê índio gêmeo nascido há quase dois meses na Reserva de Ocoí. A criança, que está se recuperando de um quadro de desnutrição aguda, foi abandonada porque os pais possuem muitos filhos e também porque estariam com medo dos espíritos divididos do menino.
A.P., de apenas 45 dias, foi encontrado por um auxiliar de enfermagem da tribo na casa de Cassemiro Tupã Pereira e Tereza Tekua Gonçalves. Enquanto um dos gêmeos estava com aparência saudável, o outro apresentava poucos sinais psicomotores e palidez extrema. Levado até o médica Luz Marilda Cardona, foi confirmado um alto índice de desnutrição.
O caso foi encaminhado ao Conselho Tutelar, que solicitou tratamento imediato e cuidados especiais na Casa Abrigo da cidade. O Ministério Público também foi acionado. O promotor de Justiça, Haroldo Nogiri, disse que os índios têm medo de crianças gêmeas. Algumas tribos consideram um castigo dos deuses, outras sustentam a crença que o espírito é dividido.
Fomos informados que é costume de alguns índios abandonar um dos filhos quando nascem gêmeos. Como a lei prevê condições especiais para os índios, vamos discutir o caso em conjunto com os envolvidos, comentou Nogiri, destacando ainda que já solicitou uma reunião com o cacique da tribo e representantes da Funai, juntamente com os pais, que já manifestaram o desejo de ter a criança de volta.
A Folha foi até a Casa Abrigo e encontrou o bebê já bastante recuperado. Com 2,8 quilos, A.P. saiu do estado crítico e precisa apenas recuperar mais peso. Ele está muito bem, saudável e comendo bastante. Os pais já vieram aqui para ver a criança e disseram que estão arrependidos, comentou a responsável pela Casa Abrigo, Maria Aparecida da Silva, enquanto mostrava o indiozinho.


