Adriana De Cunto
De Londrina
Presidente de ONG, que representa mais de 150 entidades de Londrina, se queixa da falta de providências
O novo presidente do Conselho Comunitário de Segurança de Londrina, o advogado Newton Carlos Moratto, tomou posse ontem à noite com a idéia de continuar cobrando, junto ao governo do Estado, as principais reivindicações da população quanto à segurança. Conclusão da Cadeia Pública, aumento do efetivo das Polícias Civil e Militar, além da contratação de profissionais técnicos especializados para trabalhar no Instituto Médico Legal (IML)- os quatro temas que formaram a ‘‘bandeira’’ do ex-presidente Jorge Coimbra - ainda são a grande preocupação da diretoria que fica à frente do Conselho até junho de 2000.
Para o discurso de despedida que faria ontem à noite, na Associação Comercial e Industrial de Londrina (Acil), Jorge Coimbra prometia duras críticas à administração Jaime Lerner (PFL). Ele mostraria um documento assinado pelo secretário de Segurança Pública do Estado, Cândido Martins de Oliveira, em agosto de 98, se comprometendo a solucionar as questões do término da Cadeia Pública, aumento do número de policiais e contratação de técnicos para o IML - várias funções no instituto são feitas hoje por funcionários terceirizados.
Coimbra começou o seu mandato ‘‘dando um basta’’ ao governo estadual. Ele contou que durante os 16 anos de existência do Conselho, que é uma Organização Não-Governamental (ONG), a entidade deu mais para o Estado do que recebeu em troca. Ele enumerou alguns dos muitos equipamentos doados ao Paraná por intermédio de campanhas realizadas pelo Conselho Comunitário de Segurança: motocicletas, reforma física do IML e de distritos policiais, compra de equipamentos e móveis para a Prisão Provisória, além da compra de equipamentos de rádio e telefonia usados até hoje pela PM e pela PC. ‘‘Nós estávamos sendo otários’’, revoltou-se. ‘‘Reunimos a diretoria e dissemos: agora é hora de cobrar’’.
A decisão de partir para o confronto, lembrou o ex-presidente, encontrou o respaldo das entidades organizadas que compõem o Conselho. ‘‘Um pouco antes de assumir, em setembro de 98, a população estava realizando muitas reuniões, manifestos, preocupados com a falta de segurança e a ocorrência de crimes insolúveis’’, comentou.
Foi naquele clima que as entidades organizadas prepararam a Carta de Londrina, com 19 itens que consideravam essenciais na área de segurança, sendo que quatro formaram a ‘‘bandeira’’ de reivindicações.
Tirando a frustração de não ter visto o Estado atender os principais pedidos, Coimbra citou um fator positivo do seu mandato: aumento considerável da participação das entidades associadas ao Conselho. Hoje, são 150 representações, incluindo sindicatos, associações de moradores, regional da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), associação odontológica e muitos outros. O número de membros atuantes na diretoria subiu de oito para 20. ‘‘No ano passado vimos a imprensa e a comunidade se unirem a nós nas cobranças’’, comentou, entusiasmado.
Coimbra alertou que o índice de criminalidade em Londrina cresceu bem mais, nos últimos meses, que o crescimento demográfico. ‘‘Eu atribuo isso à grande propaganda da ineficiência do setor de segurança’’, constatou. Conforme dados do Conselho, a Polícia Civil tem cerca de 100 pessoas entre delegados, investigadores e funcionários internos. ‘‘O número deles na rua, investigando os crimes, é insignificante’’, reclamou.
Outra frustração de Coimbra é quanto ao ‘‘descaso’’ das autoridades competentes. ‘‘É um absurdo. A gente luta, , acredita no governo. Mas ele tem demonstrado uma falta de transparência e falta de sensibilidade para atender os anseios da população’’, disparou.
Na opinião do ex-presidente, as autoridades só tomarão uma providência quando ‘‘alguma coisa acontecer com alguém da corte’’. Ele citou como exemplo o grande número de seguranças que acompanhou os políticos que estiveram no último sábado em Londrina, participando da reunião do Partido da Frente Liberal (PFL) para a filiação oficial do prefeito Antonio Belinati. ‘‘No momento da reunião, meu sobrinho foi assaltado em um caixa eletrônico. Eu levei duas horas para registrar o boletim de ocorrência porque na delegacia só havia um funcionário’’, contou.
Na solenidade de posse do novo conselho, apenas dois órgãos ligado do governo do Estado seriam homenageados, o Corpo de Bombeiros e o Siate. ‘‘Só estamos satisfeitos com eles’’, resumiu Coimbra. O Conselho Comunitário de Segurança de Londrina funciona na sede da Acil. Já passaram pela presidência o médico Lauro Vargas, o promotor Paulo Cunha, entre outros.

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