O Conselho Comunitário Feminino de Londrina adquiriu todo o mobiliário, materiais e equipamentos que ainda se encontravam no Hospital Londrina, em Cambé (13 km a oeste de Londrina). A unidade foi desativada em novembro de 1997. Centro cirúrgico, cozinha industrial, lavanderia e móveis foram adquiridos, no dia 1º dia de abril, pelo valor simbólico de R$ 21 mil, que deverá ser quitado dentro de um prazo de 90 dias.
Segundo a presidente do conselho, Raquel Ferreira Basseto, o objetivo é que estes equipamentos sirvam de lastro para uma possível parceria com os governos Estadual e Federal e iniciativa privada para a reabertura do hospital. Poucos dias depois de efetuar a compra, e ficar como fiel depositária, a instituição encaminhou à Secretaria Estadual de Saúde proposta de gestão administrativa. Pela proposta, o conselho entraria com o corpo clínico e equipamentos e o Estado com uma alternativa de compra do prédio.
De acordo com Raquel Basseto, o prédio de 9,8 mil metros quadrados faz parte atualmente dos bens da multinacional Signa Seguradora. Na época da compra pelo Conselho Feminino, o hospital ainda estava sob responsabilidade do Instituto Geral de Assistência Social Evangélica (Igase). A Folha não conseguiu confirmar a real situação do hospital junto à diretoria do Igase, no Rio de Janeiro.
Raquel Basseto informou que, como o Igase tinha prazo até o dia 30 de abril para retirar os equipamentos do prédio, resolveu dividi-los em lotes e leiloá-los. ‘‘Algumas instituições foram convidadas a participar do leilão, mas só o Conselho Feminino apresentou um lance para compra de todos os lotes’’. Além disso, explicou Raquel, o Igase tinha interesse em negociá-los com quem também estivesse interessado no prédio.
Depois de pagar 30% do valor total, a instituição teria o prazo de três meses para tentar negociar a compra do prédio e, consequentemente, uma alternativa para a reabertura do hospital. Porém, há cerca de 10 dias o conselho foi informado da necessidade de retirar os equipamentos, por questões internas entre Igase e Signa, que não aceitou assumir a responsabilidade pelos mesmos.
A saída encontrada pelo Conselho Feminino, até por questões de segurança, foi espalhar os equipamentos em espaços alternativos, como dois barracões locados especialmente para isso e salas emprestadas, como algumas do próprio Conselho Feminino.
‘‘Nossa expectativa é que possamos protocolar todos estes equipamentos e material adquirido junto ao Ministério da Saúde, esperando que o governo Federal tome uma atitude junto ao governo do Estado’’, disse Raquel Basseto. Ela lembra que, se o governo Federal entender que o hospital tem condições de reabrir, pode qualificar o imóvel de interesse público e fazer o processo de desapropriação. ‘‘Isto abriria caminho para levantar recursos no orçamento nacional ou mesmo através de organizações internacionais’’, informou.
Segundo a presidente do Conselho Comunitário Feminino, a instituição está comprando os equipamentos do Hospital Londrina com recursos obtidos através do Programa Comunitário de Saúde, que faz parcerias com empresas privadas prestadoras de serviços de saúde.
Nestas parcerias, um percentual dos custos (20%) é repassado para o conselho, como forma de automanutenção. Raquel informou que os recursos para pagar os 70% restantes do valor de R$ 21 mil serão adquiridos desta forma. ‘‘Se não for possível, não descartamos a possibilidade de um empréstimo’’, revelou.
Em visita a Londrina no sábado, o secretário do Estado da Saúde, Armando Raggio, disse não ter conhecimento do documento encaminhado pelo conselho. Disse também que não sabia nada da transação entre Signa Seguradora e Igase.

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